O globo, n. 31072, 02/09/2018. País, p. 5

 

Na TV, Alckmin ataca Bolsonaro, que reage na web

Daniel Gullino

02/09/2018

 

 

Na estreia dos blocos de propaganda partidária, ontem, o PT defendeu o mote “Lula livre” e destacou Fernando Haddad, ainda sem apresentá-lo como candidato. Dono do maior tempo, Geraldo Alckmin (PSDB) fez ataques indiretos a Jair Bolsonaro (PSL) e, nas inserções, apresentou nova peça contra o rival, dessa vez mostrando ofensas dele a mulheres. Bolsonaro, Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) apareceram em poucos segundos, espremidos entre os rivais.

O PT abriu sua peça criticando a rejeição da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula apareceu afirmando que os magistrados que o condenaram serão tratados pela História como “juízes” ou “algozes”. O protagonista foi Haddad, inscrito como vice e provável substituto. Ele narrou a maior parte do texto e disse que o partido estará com Lula “até o fim”. — Faço aqui um juramento de lealdade a Lula — afirmou Haddad.

Com cinco minutos e meio, Alckmin se concentrou em Bolsonaro. Além de apresentar novamente a propaganda que diz que “não é na bala que se resolve”, usou uma atriz pedindo para não se votar “com raiva”. Os ataques de Bolsonaro a mulheres também foram lembrados, com ele chamando a deputada Maria do Rosário (PT-RS) de “vagabunda” e uma repórter da Rede TV! de “idiota” e “ignorante”.

Com oito segundos, o candidato do PSL só conseguiu dizer a frase “em defesa da família e da pátria”. A reação veio por meio de redes sociais: no Twitter, ele tentou vincular Alckmin ao escândalo de desvio de recursos de merenda escolar em São Paulo. Alckmin não é investigado no caso. Marina Silva (Rede) usou seu tempo para discursar para o público feminino.

—Alguém já te chamou de incapaz? Eu sei como é. Vou trabalhar todos os dias para que ninguém diga que você não pode. Você pode, sim. Ciro Gomes (PDT) reforçou sua promessa de ajudar as pessoas a saírem da lista do SPC. Henrique Meirelles (MDB) buscou se desvincular da política e dizer que foi chamado para resolver problemas por Lula e Temer. Álvaro Dias (Podemos) voltou a usar a imagem do juiz Sergio Moro. João Amoêdo (Novo) prometeu acabar com o horário eleitoral obrigatório, enquanto Guilherme Boulos (PSOL) foi apresentado pelo ator Wagner Moura como um “candidato que tem coragem de enfrentar privilégios”.

Cabo Daciolo (Patriota) começou seu discurso com “Glória a Deus”, Vera Lúcia (PSTU) defendeu uma “rebelião, José Maria Eymael (DC) afirmou que irá governar com “honra”, enquanto João Golaurt Filho (PPL) prometeu recuperar o “orgulho de ser brasileiro”. Herdeiros políticos de caciques emedebistas fluminenses que permanecem presos, os candidatos a deputado federal Danielle Cunha, Marco Antônio Cabral e Leonardo Picci ani, todos pelo MDB,gra varam inserções e vídeos para TV e redes sociais usando estratégias diferentes. Daniella, filha do ex-presidente e ex-todo-poderoso da Câmara Eduardo Cunha, preso pela LavaJato no Paraná, fez questão de citar seu pai na propaganda eleitoral veiculada ontem na TV.

Já Marco Antônio não falou do legado de seu pai, preso no Rio,o ex-governador Sérgio Cabral. Leonardo também preferiu ocultara história da família. Se upai, o ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani, cumpre prisão domiciliar. Sem mandato e como número de campanha usado pelo pai em eleições anteriores, Danielle apostou seus poucos segundos no horário eleitoral da TV para destacar que Eduardo Cunha conduziu o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), sem tratar de sua prisão.

Há quatro anos, tanto Marco Antônio quanto Leonardo, que buscam a reeleição, faziam campanha faturando com o nome político de família. Nas inserções deste ano, a referência foi ocultada e até as cores do MDB abandonadas.