O globo, n. 31076, 06/09/2018. País, p. 6
MP de SP entra com ação de improbidade contra Alckmin
Gustavo Schimitt e Amanda Almeida
06/09/2018
Ministério Público de São Paulo apresentou à Justiça, ontem, uma ação de improbidade administrativa contra o candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin. Em delação premiada, executivos da Odebrecht afirmaram que fizeram pagamentos de R$ 7,8 milhões em dinheiro entre abril e agosto de 2014, destinados ao caixa 2 da campanha para o governo do estado, em 2014.
Em nota, a assessoria do tucano negou a acusação e disse que a representação tem “fragilidade técnica, irregularidade e ilegalidade".
Na ação, o promotor Ricardo Manuel Castro pede que o tucano seja condenado com a cassação dos direitos políticos e pagamento de multa. Como a investigação é no campo civil, eventual condenação não o levaria à prisão. Castro pediu ainda que a Justiça decrete indisponibilidade de bens até o valor de R$ 39,7 milhões de Alckmin e de Marcos Antônio Monteiro, que na época era presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e responsável pela administração financeira da campanha do tucano. Na planilha da Odebrecht, Marcos Monteiro foi apelidado de M&M.
Segundo o promotor, os executivos da Odebrecht relataram ter recebido de Monteiro pedido de contribuição de R$ 10 milhões para a campanha de Alckmin, e a empresa autorizou o repasse de R$ 8,3 milhões. Os pagamentos foram feitos em dinheiro, em nove ocasiões, a um emissário de Monteiro, que se identificava por meio de senhas como “Marceneiro”, “Cedro”, “Pudim” e “Tesoura”. As quantias entregues variaram de R$ 300 mil a R$ 1,5 milhão e a empreiteira chegou a usar transportadoras de valores.
Castro afirma que duas entregas, feitas em 7 de agosto de 2014 e 11 de setembro de 2014, ocorreram num hotel no bairro de Moema, em São Paulo, e que a relação de hóspedes serve como prova.
Em abril passado, quando Alckmin deixou o governo do estado para concorrer à Presidência, ele perdeu o foro privilegiado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e o caso foi enviado para a Justiça Eleitoral de São Paulo.
Em Brasília, Alckmin disse que“não há nenhum fato novo" em relaçãoà ação de improbidade administrativa contra ele, ajuizada hoje pelo Ministério Público de São Paulo.
— Não tenho informação (sobre a ação), mas quero reiterar aqui que não há nenhum fato novo. É nosso dever sempre prestar contas, transparência absoluta. A única coisa que a gente quer é que a Justiça seja rápida, que se esclareça rapidamente —disse o candidato.
A campanha de Alckmin acusa a representação do MP de “fragilidade técnica, irregularidade e ilegalidade".
“IRÍAMOS PARA O CAOS”
Alckmin fez campanha ontem em Goiás. E voltou a criticar o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Ao visitar um hospital em Goiânia, o tucano chamou o deputado de despreparado, disse considerálo o “pior candidato” e prometeu que fará “de tudo” para evitar que o ex-capitão do Exército seja eleito em outubro. Alckmin considera que uma eleição de Bolsonaro levaria o Brasil “para o caos”.
— Não há ninguém tão despreparado quanto o Bolsonaro. (Se ele fosse eleito) Acho que o Brasil retrocederia, iríamos para o caos. Farei o possível para que isso não aconteça. Tenho responsabilidade para com o meu país —disse Alckmin.