Título: Conferência ainda sem autoridades de peso
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Fonte: Correio Braziliense, 12/06/2012, Brasil, p. 8
Às vésperas do encontro para debater o desenvolvimento sustentável, chefes de Estado dos países mais ricos e poluentes do mundo não confirmaram presença
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) começa amanhã no Rio de Janeiro sem uma lista oficial de chefes de Estado que estarão presentes no evento e sem qualquer confirmação de presença dos líderes dos países mais ricos e poluentes do globo. O Itamaraty diz que, até agora, 115 chefes de Estado confirmaram presença na conferência, quantidade superior à de líderes presentes na Rio92: 108. A Rio+20, maior evento sobre meio ambiente que o Brasil recebe desde a cúpula de 1992, será realizada entre 13 e 22 de junho. Os chefes de Estado estarão na cidade carioca nos dias 20, 21 e 22.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da Inglaterra, David Cameron, não comparecerão, conforme as manifestações das diplomacias dos três países até agora. Para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Rio+20, Sha Zukang, a participação desses chefes de Estado não está completamente descartada. É o mesmo posicionamento do Itamaraty. O órgão, pelo menos oficialmente, sustenta que Obama, Merkel e Cameron poderão confirmar presença no evento ao longo dos dez dias de reuniões. "Confirmações podem ser feitas de última hora", diz a coordenação de imprensa do Comitê Nacional de Organização da Rio+20, ligado ao Itamaraty.
"As ausências não enfraquecem. Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha estarão muito bem representados", disse ontem Sha Zukang, após encontro com o prefeito do Rio, Eduardo Paes. A partir de amanhã, delegações de 194 países membros da ONU começam a discutir os dois principais temas da Rio+20: economia verde no contexto da erradicação da pobreza e estrutura institucional para sustentabilidade. As rodadas de negociações objetivam formalizar o texto que será apresentado aos chefes de Estado entre 20 e 22 de junho. A intenção é apresentar um texto mais "enxuto" e com "mais clareza" aos líderes dos países. Do evento, será elaborado um documento final, com propostas a serem adotadas pelos signatários participantes.
Detalhes finais Hoje, às 16h, os ministros de Relações Exteriores, Antonio Patriota, da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, fazem no Rio de Janeiro a última reunião antes do início oficial da Rio+20. Eles acertam os detalhes finais do evento, que passou a ser tratado com prioridade alta pelo governo brasileiro, principalmente em razão da possibilidade de fracasso nas negociações e de baixo comparecimento de líderes dos países mais desenvolvidos.
A presidente Dilma Rousseff já autorizou via decreto, por exemplo, o pagamento dobrado de diárias para servidores públicos federais e militares que trabalharão na Rio+20. O alto custo de hospedagem na cidade, por causa do evento, levou algumas delegações internacionais a cancelarem a participação, o que irritou a presidente. O custo estimado da Rio+20 para o governo brasileiro é de R$ 430 milhões, dos quais R$ 200,1 milhões serão gastos pelo Itamaraty. São esperadas 50 mil pessoas credenciadas pela ONU.
"As ausências não enfraquecem. Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha estarão muito bem representados" Sha Zukang, secretário-geral da ONU para a Rio+20