Título: Governador enfrenta protesto
Autor: Correia, Karla
Fonte: Correio Braziliense, 13/06/2012, Política, p. 3
Um grupo de manifestantes vindos de Goiânia recebeu o governador de Goiás, Marconi Perillo, com gritos de protesto e palavras de ordem ontem, na chegada de Perillo à CPI do Cachoeira. Organizados em uma caravana, os opositores ao governador tucano, com rostos pintados e usando nariz de palhaço, gritavam "Fora Perillo", na entrada do corredor onde fica a comissão em que o governador iria depor. Cercado pela claque que o aplaudiu durante seu depoimento na CPI, Perillo foi defendido por seus aliados, que responderam ao protesto com o coro de "Fica Perillo".
O movimento foi organizado pela internet, por meio de uma comunidade do Facebook criada em abril deste ano. Hoje, a comunidade do site de relacionamento virtual conta com 627 adesões. Desde então, o grupo já organizou quatro manifestações contra o governador no estado e chegou a entrar em conflito com a segurança de Perillo há duas semanas em um evento oficial do governo goiano em Itumbiara (GO), cidade onde o tucano apoia a campanha do vice-prefeito da cidade, Chico Bala (PTB), à prefeitura.
"Não era só um evento. Estava mais para um showmício", conta o professor de história da rede pública estadual de ensino Alexandre Ângelo Seltz, um dos coordenadores do grupo. "Do palanque, ele apontou para a gente e mandou a segurança em cima. Foi uma agressão, um manifestante ficou machucado", relata. O grupo ainda protocolou, na última segunda-feira, um pedido de impeachment contra Perillo na Assembleia Legislativa de Goiás.
"Hoje ele trouxe aqui 28 deputados estaduais para dar apoio. Mas nós viemos também, para fazer barulho", diz Seltz. O grupo de cerca de 70 manifestantes deixou a capital goiana por volta das 5h30 e veio organizado em uma caravana de carros e vans. Apenas 20 conseguiram driblar a segurança do Senado e entrar na Casa. De acordo com o professor de história, o movimento pagou as contas sem ajuda externa. "Somos independentes, não temos filiação a nenhum partido. Os apoiadores do governador nos acusam de ser cooptados pelo PT, mas isso não é verdade. Esse é um movimento apolítico e autofinanciado", reforça.
"Hoje ele trouxe aqui 28 deputados estaduais para dar apoio. Mas nós viemos também, para fazer barulho" Alexandre Ângelo Seltz, professor de história