Título: Votação do relatório na segunda-feira
Autor: Jeronimo, Josie
Fonte: Correio Braziliense, 13/06/2012, Política, p. 4

A defesa de Demóstenes Torres (sem partido) tentou duas manobras para adiar a leitura do parecer de Humberto Costa (PT-PE) no Conselho de Ética do Senado, mas o relator comunicou o encerramento da instrução probatória do processo e a Casa poderá debater e votar o relatório na próxima segunda-feira. O presidente do Conselho de Ética, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), agendou para o dia 19, às 14h30, a leitura do relatório após Humberto Costa informar que já tem elementos suficientes para se manifestar.

Se o conselho conseguir debater e votar o parecer no mesmo dia, o relatório seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que avaliará a constitucionalidade do texto, antes da apreciação do plenário. A partir de agora, o conselho vai brigar contra o tempo para levar o relatório de Humberto Costa a plenário até 17 de julho, último dia antes do recesso parlamentar.

Perícia Após o encerramento da instrução probatória, foi aberto prazo para que os advogados de Demóstenes façam as alegações finais. A defesa pleiteou 10 dias de intervalo entre a votação do relatório e o encaminhamento das alegações finais, mas o conselho não acatou.

O presidente do conselho também informou que os advogados de Demóstenes deram nova roupagem a texto de requerimento pedindo uma perícia técnica nos áudios utilizados por Humberto Costa na composição do relatório, mas o pedido acabou novamente rejeitado. "Não há possibilidade de incluir novas informações, a relatoria já encerrou a instrução probatória. Segunda-feira será feita a leitura e votação. O requerimento de perícia dos áudios era uma repetição em dose menor, aí o conselho derrubou", explica Valadares.

Os advogados de Demóstenes alegaram que a perícia nas escutas da Polícia Federal, captadas com autorização judicial, poderia comprovar que arquivos de gravações foram corrompidos graças à intervenção de programas de edição, suprimindo trechos de conversas e, até mesmo, incluindo "emendas" nos diálogos para direcionar o conteúdo da fala dos alvos investigados. Os senadores Jayme Campos (DEM-MT) e Romero Jucá (PMDB-RR) apoiaram o requerimento dos advogados de Demóstenes.

"Não há possibilidade de incluir novas informações, a relatoria já encerrou a instrução probatória" Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), presidente do Conselho de Ética do Senado