Título: Ataques ao grupo do bicheiro
Autor: Tahan, Lilian; Campos, Ana Maria
Fonte: Correio Braziliense, 13/06/2012, Política, p. 6
A defesa do governador Agnelo Queiroz (PT) trabalhou dois principais temas para os debates sobre a Operação Monte Carlo: a tentativa do grupo de Carlinhos Cachoeira de nomear integrantes do Governo do Distrito Federal e de ampliar os negócios da Delta Construções. No depoimento marcado para as 10h30, o petista estará preparado para citar diálogos captados pela Polícia Federal (PF) que se referem às manobras políticas envolvendo a escolha do diretor-geral do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) num esforço para manter sob o domínio do contraventor a fiscalização do contrato de limpeza urbana do DF executado pela Delta.
Agnelo vai dizer que despertou a ira de Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) justamente porque os teria contrariado. Citará trechos de conversas interceptadas das quais participaram Cachoeira, Demóstenes, e o araponga Idalberto Matias, o Dadá. Outro tema a ser abordado é o tráfico de influência cometido pelo grupo do contraventor para fraudar a licitação destinada ao contrato de bilhetagem eletrônica do transporte público do DF, denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
A avaliação é de que há, na defesa das denúncias da Operação Monte Carlo, um bom texto, uma boa história e um bom personagem a serem exibidos na CPI. Falta, no entanto, um grande ator. Agnelo Queiroz não tem a mesma eloquência apresentada pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na sessão de ontem. O petista também é mais emocional. Essa característica preocupa os advogados, uma vez que o governador do DF sofrerá provocações de adversários, especialmente relacionadas a supostas irregularidades na evolução patrimonial. A assessoria do governador sustenta que o crescimento dos bens é totalmente compatível com a renda de Agnelo e da primeira-dama, Ilza Maria Queiroz, médica-ginecologista. Para ajudar a costurar o cenário de defesa, dois deputados federais petistas deixaram o GDF para reassumirem os mandatos: Magela e Paulo Tadeu.
Assim que atravessar a Esplanada dos Ministérios, Agnelo sofrerá resistências. Na oposição, militantes do PSol preparam uma manifestação contra o petista nesta manhã, a partir das nove horas, na rampa em frente ao Congresso Nacional. Dois representantes do partido acompanharão o depoimento, o senador Randolfe Rodrigues (AP) que participa da CPI, e o líder na Câmara, Chico Alencar (RJ). Ambos são contundentes nas perguntas e intervenções. Agnelo, no entanto, tem dito que no Congresso, onde exerceu três mandatos, se sente em casa. (AMC e LT)
6 Quantidade de deputados distritais que devem comparecer ao depoimento no Congresso