Título: A encruzilhada da CPI pós-governadores
Autor: Mascarenhas, Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 14/06/2012, Política, p. 4
Integrantes da comissão se dividem sobre novos passos das investigações. Governistas querem cruzar dados obtidos, e oposicionistas planejam convocações de Pagot e Cavendish Concluída a semana dos governadores, a CPI do Cachoeira voltará a se reunir hoje de manhã para definir os próximos passos das investigações. Os sistemáticos embates entre parlamentares da base aliada e da oposição, que marcaram os depoimentos do governadores Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, e Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, ganharão novos capítulos com as discussões a respeito de quem deverá ser convocado a comparecer ao colegiado na semana que vem.
Os dois principais pontos de discórdia atendem pelos nomes de Luiz Antônio Pagot, ex-diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e de Fernando Cavendish, sócio da construtora Delta. Ambos representam ameaça concreta ao Palácio do Planalto. O primeiro já deu entrevistas dizendo que tem muito a contribuir com informações sobre irregularidades no Dnit, enquanto a Delta mantém diversos contratos com o governo federal.
Ontem, durante a oitiva do governador do Distrito Federal, alguns integrantes da CPI já defenderam a imediata convocação de Pagot e Cavendish. "O senhor Pagot já afirmou que quer falar a esta CPI. Não temos que diar a presença dele aqui. Temos que votar o requerimento (de convocação) o mais rápido possível", defendeu o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP). Já o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) reiterou a necessidade de se ouvir o proprietário da Delta, apesar de afirmar que não enxerga nas oitivas o melhor instrumento de apuração: "O caminho mais eficiente agora é cruzar as informações dos inquéritos da Polícia Federal e do Ministério Público com as declarações dadas pelos depoentes na CPI", argumentou.
À disposição Embora não seja membro da CPI, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu a palavra e disse que havia falado por telefone com Pagot, que teria reiterado o desejo de ser ouvido. "Falei com ele (Pagot) há meia-hora. Ele me disse que, caso não seja convidado pela CPI, vai procurar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para contar tudo o que sabe. Faço um apelo à comissão para que se convoque Pagot."
Do outro lado, a tropa de choque do governo já demonstrou que não facilitará a vinda de Cavendish e Pagot. "Não vejo necessidade alguma de convocar o ex-diretor do Dnit. Não há nada que indique envolvimento dele com a organização criminosa de Cachoeira (contraventor Carlos Augusto Ramos). Sobre Cavendish, se é que faz sentido convocá-lo, isso só deve ser decidido depois de analisarmos os sigilos da Delta", contra-argumentou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
A CPI já pediu a quebra dos sigilos da Delta. As informações chegaram ao Congresso na semana passada. Independentemente do que for encontrado, a oposição vai trabalhar ativamente para aprovar as convocações. Já a base aliada tentará evitar a aprovação dos requerimentos, mas, na avaliação dos governistas, é que as oitivas de Pagot e Cavendish são uma questão de tempo.
"O caminho mais eficiente agora é cruzar as informações dos inquéritos (...) com as declarações dadas pelos depoentes na CPI" Miro Teixeira (PDT-RJ), deputado federal
"O senhor Pagot já afirmou que quer falar a esta CPI. Não temos que diar a presença dele aqui" Randolfe Rodrigues (PSol-AP), deputado federal