Título: Impasse europeu ameaça os EUA
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Fonte: Correio Braziliense, 14/06/2012, Economia, p. 18
Presidente norte-americano teme que a turbulência da Zona do Euro agrave a já dificil situação do país e prejudique seus planos para ganhar um novo mandato em novembro
Preocupado com os efeitos da crise global sobre a economia norte-americana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou ontem para o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, para discutir a pauta da reunião, na próxima semana, do G20 — grupo das 20 maiores economias do mundo —, na qual os temas principais serão a grave situação na Europa e as eleições de domingo na Grécia, que podem pavimentar o caminho de saída do país da Zona do Euro. Segundo um porta-voz, Van Rompuy também havia falado com o presidente da França, François Hollande, mais cedo, sobre os mesmos assuntos.
Obama tem em mãos indicadores mostrando que a recuperação econômica dos EUA tem se enfraquecido, o que pode prejudicar seus planos de obter mais um mandato de quatro anos nas eleições presidenciais de novembro, sobretudo se a crise global entrar em um estágio mais complicado. De acordo com uma pesquisa da Reuters com economistas, divulgada ontem, os norte-americanos irão às urnas em um cenário de crescimento econômico mais lento e menor criação de empregos do que o imaginado um mês atrás.
O levantamento mostra que os analistas reduziram as previsões para a expansão da economia e a geração de em pregos em 2012 e nos anos seguintes. Na pesquisa anterior, feita em maio, eles acreditavam que seriam criados 155 mil postos de trabalho entre abril e junho, expectativa que foi agora reduzida para apenas 97 mil. Para o restante de 2012, as previsões são menos sombrias. Mesmo assim, as médias mensais de 145 mil e de 257 mil vagas, no terceiro e quarto trimestres, respectivamente, tiveram recuo de cerca de 20 mil em relação à sondagem anterior.
"Historicamente, presidentes não se reelegem quando a economia está em dificuldade, como está agora", disse o economista-chefe do IHS Global Insight para os Estados Unidos, Nigel Gault. "Muitas pessoas lá fora, se você questioná-las em pesquisas, dirão que ainda veem a economia em recessão."
Conforme as previsões dos especialistas, entre junho e outubro próximo, a economia dos EUA vai ganhar uma média de 147 mil postos de trabalho por mês, número que, apesar de positivo, não será suficiente para diminuir a taxa de desemprego, hoje equivalente a 8,2% da força de trabalho. As expectativas foram reduzidas até o fim de 2013. Para o ano que vem, espera-se a criação de 191 mil postos por mês, abaixo da previsão de 200 mil na pesquisa de maio.
O crescimento econômico também deve ser mais lento. No terceiro e quarto trimestres de 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA deve se expandir a taxas anualizadas de 2,3% e 2,4%, respectivamente, sendo que, em ambos os casos, o resultado seria 0,1 ponto percentual mais fraco que o previsto na pesquisa anterior. A previsão para o PIB em 2012 como um todo caiu de 2,3% para 2,2%. A projeção para 2013 recuou de 2,4% para 2.2%