O Estado de São Paulo, n. 45649, 11/10/2018. Política, p. A14
Ex-governador de Goiás, Marconi Pirillo é preso pela PF
11/10/2018
Tucano foi detido ao prestar depoimento; operação investiga repasse de R$ 10,3 mi da Odebrecht para o político
Planilhas. Segundo investigações, Perillo era identificado por ‘Master’, ‘Padeiro’ e ‘Calado’
O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) foi preso ontem ao chegar à superintendência da Polícia Federal, em Goiânia (GO), para prestar depoimento na Operação Cash Delivery, que investiga o repasse de R$ 10,3 milhões da Odebrecht para o tucano.
Perillo, que era candidato ao Senado e foi derrotado no último domingo, havia sido alvo de busca e apreensão no dia 28 de setembro. Na ocasião, Jayme Rincón, ex-tesoureiro do tucano, foi preso pela PF acusado de ser um dos intermediários dos repasses da empreiteira.
Por meio de nota, o Ministério Público Federal (MPF) informou que o ex-governador não havia sido alvo de mandado de prisão porque era candidato ao Senado e a lei eleitoral proíbe detenção na semana anterior ao pleito. O prazo dessa proibição terminou anteontem.
Ao decretar a prisão preventiva de Perillo, o juiz Rafael Ângelo Slomp, da 11.ª Vara Federal Criminal, em Goiânia, afirmou que a medida é necessária para prevenir o envolvimento do tucano em outros atos de recebimento de valores e de eventual saldo de propina.
As acusações contra Perillo foram feitas pelos delatores da Odebrecht Fernando Reis e Alexandre Barradas. Aos investigadores, eles citaram repasses de R$ 10 milhões ao ex-governador – R$ 2 milhões na eleição de 2010 e R$ 8 milhões em 2014.
“Observada a quantidade de propina descrita na representação policial, associada à apreensão ocorrida na fase ostensiva da operação (mais de R$ 1 milhão), somada à extensão temporal em que se desenvolveram as práticas delitivas, torna imprescindível a decretação da custódia cautelar com amparo na garantia da ordem pública”, diz trecho da decisão de Slomp.
O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que defende o tucano, afirmou que “não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto da prisão do ex-governador”. Após a prisão, Kakay informou que Perillo prestou depoimento e respondeu a todas as perguntas da PF. A defesa vai recorrer ao Tribunal Regional Federal.
Rede. No pedido de prisão, o MPF afirma que o tucano “montou e mantém uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro formada por empresas parceiras para ocultar a origem da propina recebida da Odebrecht”.
Segundo o Ministério Público, os valores seriam usados “para comprar apoio político de 66 candidatos aliados na forma de financiamento fraudulento, dissimulado como oficial”.
As investigações apontam que Perillo era identificado em planilhas de propinas da Odebrecht por “Master”, “Padeiro”, “Calado” e “Patati”.
A Procuradoria diz que o cruzamento das informações entregues pelo doleiro Álvaro Novis com as quebras de sigilo telefônico, datas das entregas da propina e respectivas localizações à época indicadas pelas antenas de celular dos investigados permitiu identificar 21 eventos de entregas de valores em espécie, em 2014, que totalizam R$ 10,3 milhões, feitas a mando e por coordenação da Odebrecht em favor de Perillo.
Dono da Hoya Corretora, Novis assinou acordo com a Justiça e tem colaborado nos inquéritos abertos com base nas delações de executivos da Odebrecht. No caso de Perillo, ele aparece como responsável por coordenar todas as entregas para os codinomes que seriam usados para se referir ao ex-governador.
“Ouvido pela Polícia Federal, Álvaro Novis admitiu que era encarregado de providenciar a entrega do dinheiro”, diz o Ministério Público.
Propina
“Observada a quantidade de propina descrita na representação policial (...) torna imprescindível a decretação da custódia cautelar.”
Rafael Ângelo Slomp​, JUIZ, EM AVAL PARA PRENDER TUCANO