O globo, n. 31116, 16/10/2018. País, p. 8

 

O Globo promove debate do 2º turno no Rio

16/10/2018

 

 

Amanhã, às 10h, os candidatos a governador Wilson Witzel e Eduardo Paes participam de encontro promovido pelos jornais O GLOBO e Extra e pela revista Época; evento terá transmissão ao vivo da rádio CBN

Os jornais O GLOBO e Extra e a revista Época, com apoio institucional do banco digital Modalmais, vão promover, amanhã, às 10h, debate entre os dois candidatos ao governo do Rio que estão no segundo turno da eleição: Wilson Witzel (PSC) e Eduardo Paes (DEM). Com previsão de 1h45, o encontro vai privilegiar perguntas entre os concorrentes, com três blocos de questionamentos livres entre eles, e outro com a participação de jornalistas. O debate ocorre no auditório da sede da redação integrada de O GLOBO, Extra e Época, no Centro, e terá transmissão ao vivo nos sites e páginas do Facebook das publicações e também na rádio CBN, além de cobertura online em tempo real com análises e observações de bastidores.

A mediação será feita pela colunista do Extra Berenice Seara. O primeiro bloco vai funcionar no formato de debate direto, em que Witzel e Paes se alternam em duas rodadas de perguntas e respostas. A ordem será definida por sorteio. Os tempos serão de 30 segundos para pergunta, dois minutos para resposta, um minuto e 30 segundos para réplica e um minuto para tréplica. No terceiro e no quarto bloco, as regras se repetem.

Já no segundo bloco, os colunistas do GLOBO Lauro Jardim e Ancelmo Gois, a diretora de redação da Época, Daniela Pinheiro, e a âncora da CBN Bianca Santos farão perguntas aos candidatos, com ordem definida também por sorteio. O debate se encerra com as considerações finais, com tempo de um minuto e 30 segundos para cada candidato.

Transmissão ao vivo

Antes mesmo do início do debate entre os candidatos ao governo do Rio, a transmissão ao vivo nos sites e nas páginas de O GLOBO, Extra e Época no Facebook já estará no ar, com o clima nos bastidores. E seguirá durante o evento com análises e observações, nos sites e no Twitter. Ao término do evento, cada candidato concederá uma coletiva de 10 minutos aos jornalistas presentes.

Esse será o segundo encontro entre Paes e Witzel desde que ambos passaram para o segundo turno da disputa ao governo do Rio. Recentemente, em suas respectivas agendas públicas, ambos subiram o tom das críticas mútuas. Amanhã será uma nova oportunidade para que as propostas sejam mais bem esclarecidas.

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Witzel omitiu empresas da Justiça Eleitoral

Juliana Castro

Hudson Corrêa

16/10/2018

 

 

Duas sociedades empresariais aparecem em nome do ex-juiz, uma delas com capital de R$ 100 mil

Ao TRE-RJ, o candidato do PSC declarou apenas uma casa de R$ 400 mil

O candidato ao governo do Rio Wilson Witzel (PSC) omitiu da Justiça Eleitoral duas empresas que estão em seu nome. Uma foi aberta em julho de 2002, e a outra, meses antes de deixar o cargo de juiz federal para concorrer ao Palácio Guanabara. Ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), Witzel informou ter apenas uma casa de R$ 400 mil. A omissão não é crime, mas impede os eleitores de ter conhecimento das atividades empresariais do candidato.

O postulante do PSC registrou a HW Witzel Produções e Participação no cartório de registro civil das Pessoas Jurídicas do Rio em 17 de outubro de 2017. A empresa tem capital social de R$ 100 mil, divididos em partes iguais entre ele e a mulher, Helena Alves Brandão Witzel. Dessa forma, o candidato deveria ter declarado à Justiça Eleitoral ao menos R$ 50 mil em cotas.

Segundo o contrato social, a HW possui várias frentes de atuação, entre realização de cursos, simpósios, seminários, congressos e feiras, além de pesquisas social, econômica e jurídica, ciclos de estudos e cursos. Os objetivos incluem também a produção e coordenação de programas de rádio, televisão e mídias sociais. Ainda há um braço na publicação de livros e serviços gráficos.

Cabe a Helena administrar a empresa, assinar cheques e representá-la perante órgãos públicos, já que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) proíbe juízes de exercer atividade comercial. Witzel ainda era juiz quando a empresa foi aberta e pediu exoneração do cargo em fevereiro deste ano.

O candidato do PSC disse ao GLOBO que a empresa é do ramo de eventos, “mas não chegou a funcionar”. Informou que “foi aberta este ano”, embora os registros da Receita Federal e do cartório falem em outubro do ano passado. Witzel abriu a primeira empresa, a W&W Serviços Educacionais, em julho de 2002. O site da Receita mostra que ela está ativa e em nome do candidato. Porém, não há dado sobre o capital social. Pela assessoria, Witzel informou que era empresa educacional e inativa.

Embora tenha declarado ao TRE-RJ apenas a casa de R$ 400 mil, Witzel repassou à própria campanha R$ 222 mil, o equivalente a 10% do que arrecadou. Questionado, afirmou que sua campanha custou até agora 10% da de Eduardo Paes. “Por fim, gostaria de saber se questionamentos semelhantes foram feitos ao outro candidato, tendo em vista o equilíbrio do espaço jornalístico”, afirmou.

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Ex-secretário de Paes é condenado a 23 anos

Juliana Castro

16/10/2018

 

 

Alexandre Pinto dirigiu pasta de Obras na Prefeitura do Rio e é réu confesso por lavagem de dinheiro

Servidor de carreira, Pinto está proibido de exercer cargos públicos por 46 anos

O ex-secretário municipal de Obras do Rio Alexandre Pinto foi condenado a 23 anos de prisão por lavagem de dinheiro. A sentença foi dada pelo juiz Marcelo Bretas a duas semanas do segundo turno e é a primeira contra Pinto na Lava-Jato. Na decisão, o magistrado proíbe o ex-secretário de exercer cargo público pelo dobro do tempo da pena.

Na sentença, Bretas escreve que a culpabilidade de Alexandre Pinto é elevada e que ele agiu motivado “por mera ganância e ambição desmedidas”. O magistrado fixa ainda o pagamento de uma indenização de aproximadamente R$ 805 mil, mesma cifra da lavagem de dinheiro.

Funcionário de carreira da Prefeitura do Rio, Pinto é réu confesso e admitiu, num depoimento dado há quatro meses, ter recebido propina enquanto comandava a pasta de Obras na gestão de Eduardo Paes, hoje candidato do DEM ao governo do Rio de Janeiro.

No último depoimento que prestou a Bretas, faltando três dias para o primeiro turno, Pinto acusou o ex-prefeito de ter recebido propina em grandes obras da prefeitura do Rio. Pinto afirmou que Paes negociou propina de 1,75% sobre o contrato da Transoeste tocado pela Odebrecht. Ele declarou ainda que o esquema envolvia o Tribunal de Contas do Município (TCM) do Rio, que ficaria com 1% de propina.

Em delação premiada, os ex-executivos da Odebrecht Benedicto Junior e Leandro Azevedo, citados no depoimento pelo exsecretário, confirmaram o repasse de dinheiro a Paes, mas disseram que era caixa dois de campanha. Júnior e Azevedo negaram o recebimento de benefícios e de vantagem pessoal por Paes. Em entrevista ao RJTV ontem, Paes negou a acusação e disse que Pinto não apresentou provas.

— Fica fácil para um criminoso confesso sair mentindo. —afirmou.

O ex-secretário é investigado na Operação Lava-Jato, acusado de desvio de dinheiro público, na obra da Transcarioca. Em agosto de 2017, foi preso durante a Operação Rio 40 graus, desdobramento da Lava-Jato que investigou um grupo suspeito de receber R$ 35,5 milhões em propina oriunda de obras públicas. As apurações tiveram como base a delação de executivos da empreiteira Carioca Engenharia, homologada no Superior Tribunal de Justiça.