Título: Escutas mostram pistolagem na quadrilha
Autor: Abreu, Diego
Fonte: Correio Braziliense, 20/06/2012, Política, p. 6

Apesar da busca e apreensão de grande parte de integrantes da organização criminosa comandada por Carlinhos Cachoeira não ter encontrado armas de fogo em poder dos acusados, investigação da Polícia Federal detectou que a quadrilha fazia uso de ameaças de morte e, até mesmo, crimes de pistolagem, como forma de manter o poder nas áreas em que explorava jogos de azar. A violência como modus operandi na manutenção dos domínios de Cachoeira explica a preocupação do juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima com a suposta ameaça sofrida por sua família.

No dia 12 de maio, o Correio publicou diálogo captado pela PF em que dois homens combinam um suposto crime de homicídio. Na lista de denunciados pelo Ministério Público Federal, dois policiais militares com os mesmos nomes registrados nas escutas realizadas com autorização judicial, catalogadas como "pistolagem", são qualificados. À Corregedoria-Geral do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1º Região, o juiz alegou que não se sentia seguro, pois notícias recentes davam conta de que a quadrilha praticou homicídios para eliminar possíveis testemunhas que pudessem comprometer ainda mais os acusados.

Investigações da Polícia Federal também apontam para suposta ligação entre o grupo de policiais corruptos que apoiavam as atividades de Cachoeira e acusados de compor grupo de extermínio em Goiás. Cachoeira foi flagrado solicitando orientação ao senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) sobre a possibilidade de influir na transferência de policiais militares acusados de pertencer a grupo de extermínio de instituição federal em Mato Grosso do Sul para presídio em Goiás.

Em depoimento à CPI mista do Cachoeira, no Congresso, o delegado federal Raul Alexandre Souza revelou que a organização criminosa chefiada pelo bicheiro tem registros de ligação em que combina sequestro de um explorador de casa de bingo que estaria desafiando o poder da quadrilha. A proximidade do contraventor com a banda podre da polícia em Goiás permitia que ele acionasse o poder público, até mesmo, para intimidar cidadãos em episódios de conflitos pessoais. Em uma das escutas, Cachoeira solicita a um delegado que pressione um rapaz que brigou com o filho de um amigo do bicheiro por estarem interessados na mesma mulher.