Título: Credores já falam em renegociação
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 20/06/2012, Economia, p. 13

Autoridades admitem rever programa de resgate à Grécia, que tenta formar governo

Apesar da resistência da chanceler alemã, Angela Merkel, credores internacionais já admitem renegociar o segundo pacote de resgate concedido à Grécia, que vai reforçar o caixa do país em 130 bilhões de euros. Antes, porém, os líderes políticos correm contra o tempo para formar um governo de coalizão, após a eleição que resultou na vitória do partido conservador Nova Democracia (ND), de Antonis Samaras.

Oficialmente, a Comissão Europeia mantém o discurso inflexível. "Nós acabamos de decidir o segundo programa recentemente, portanto, ninguém está falando sobre um novo memorando de entendimento", afirmou o porta-voz da Comissão Amadeu Altafaj. "Nós estamos falando sobre garantir que a Grécia forme um governo e que esse governo aproprie-se completamente do programa e implemente-o a fim de colocar o país de volta no caminho."

Mas o discurso parece isolado. Maior país membro do Fundo Monetário Internacional (FMI), os Estados Unidos informaram que apoiam as discussões para revisar o programa de resgate. Uma autoridade da Zona do Euro disse ontem a Reuters que o programa no qual o resgate foi baseado está obsoleto. "Como a situação econômica mudou, a situação das receitas tributárias mudou, o ritmo da implementação mudou, o ritmo de privatização mudou — se não mudarmos o memorando de entendimento, não funciona. Estaríamos assinando uma ilusão", disse a autoridade.

Mesmo a Alemanha de Merkel admite rever alguns prazos de pagamento, embora rejeite qualquer possibilidade de afrouxamento nas medidas de austeridade. É justamente esse o ponto que une os partidos políticos gregos que tentam formar a coalizão. Após uma terça-feira tomada por reuniões, ainda não há um desenho dessa formação. Mas a expectativa é que, no máximo, na sexta-feira, as peças estejam acomodadas.

Antonis Samaras tem o apoio de seu provável parceiro, o socialista Pasok, para renegociar os termos do pacote. "A Grécia deve e terá um governo assim que possível", disse o líder socialista Evangelos Venizelos após se reunir com Fotis Kouvelis, líder do pequeno Esquerda Democrática, outro provável parceiro da coalizão. "Há uma necessidade de formar uma equipe nacional de negociação que lide com a revisão de termos duros do acordo de resgate", acrescentou Venizelos.

O Nova Democracia e o Pasok se alternaram no poder entre o fim do regime militar grego, em 1974, e o ano passado, quando a crise econômica forçou os arquirrivais a partilharem o poder, num governo de unidade nacional favorável ao pacote financeiro internacional.