Título: UE sela acordo para crescimento
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Fonte: Correio Braziliense, 23/06/2012, Economia, p. 16
Angela Merkel cede em reunião de líderes e dá aval a pacote de 130 bilhões de euros, que estimulará economias da Europa. Mas decisão sobre eurobônus ainda está em negociação
Os líderes de Alemanha, França, Itália e Espanha concordaram ontem com um pacote de 130 bilhões de euros (US$ 156 bilhões) para tentar reanimar o crescimento econômico na Europa, mas diferem sobre o lançamento de títulos conjuntos para combater a crise da dívida da Zona do Euro. Isolada, depois da derrota do francês Nicolas Sarkozy, na defesa intransigente de medidas de austeridade, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, se viu forçada a mudar o discurso e a assinar embaixo a proposta de estímulo ao crescimento.
Após o encontro entre os líderes dos países europeus em Roma, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, disse que a União Europeia deve adotar uma série de medidas de crescimento equivalentes a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) da região em um encontro na próxima semana. "Crescimento só pode ter sólidas raízes se houver disciplina fiscal, mas disciplina fiscal só pode ser mantida se houver crescimento e criação de empregos", disse Monti em entrevista à imprensa depois de conversas que duraram uma hora e 40 minutos.
As medidas de crescimento, já trabalhadas em Bruxelas, incluem aumentar o capital do Banco de Investimentos Europeu, redirecionar fundos não gastos regionais da UE e lançar títulos para cofinanciar importantes programas de investimento público.
Merkel, que lidera a economia mais poderosa da Europa e principal contribuidora dos fundos de resgate, aprovou o pacote de crescimento, mas não fez nenhuma menção de qualquer movimento em direção à mutualização da dívida da Zona do Euro ou novos empréstimos.
Hollande O presidente da França, François Hollande, pareceu impaciente com a relutância de Berlim, dizendo que não se deve demorar 10 anos para criar eurobônus conjuntos. Ele afirmou que uma maior solidariedade é necessária entre os Estados membros antes que eles cedam mais soberania para as instituições da UE. "Eu considero os eurobônus uma opção... Mas não em 10 anos", disse Hollande em um desafio direto a Merkel. "Não pode haver transferência de soberania se não houver uma melhora na solidariedade", afirmou. Merkel argumentou que os 17 membros união monetária têm que transferir controle sobre orçamentos nacionais e políticas econômicas para Bruxelas antes de a Alemanha considerar uma emissão comum da dívida.
As declarações contrastantes deram muito trabalho para diplomatas produzirem um projeto convincente para uma união fiscal e bancária na cúpula da UE que irá ocorrer nas próximas quinta e sexta-feira, considerada por Monti um momento decisivo na crise.
Monti reforçou que, sem estímulo ao crescimento, alguns países teriam que continuar a tolerar taxas de juros bastante altas. "Isso é exatamente o oposto do que é necessário para o crescimento econômico", completou o primeiro-ministro italiano, anfitrião do encontro.
» Resgate espanhol
Custos de empréstimos perigosamente altos para a Espanha e a Itália recuaram um pouco devido às expectativas criadas pela cúpula em Bruxelas em 28 e 29 de junho. Se a reunião não tiver sucesso, os dois países podem ficar ainda mais perto de precisarem de resgates soberanos. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, prestes a pedir até 100 bilhões de euros em fundos de resgate da Zona do Euro para recapitalizar bancos, afirmou que os líderes europeus concordaram em "usar qualquer mecanismo necessário para obter estabilidade financeira na Zona do Euro." Uma auditoria divulgada na quinta-feira mostrou que os bancos espanhóis precisariam de até 62 bilhões de euros em capital extra para enfrentar as circunstâncias adversas.