O Estado de São Paulo, n. 45695, 26/11/2018. Política, p. A12
Candidatos à OAB-SP querem protagonismo
Gilberto Amendola
26/11/2018
Postulantes à Presidência da seccional paulista prometam postura crítica a Doria e Bolsonaro
Os candidatos à Presidência da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) prometem uma postura crítica em relação aos governos que se iniciam em 2019, o de João Doria (PSDB) no Governo do Estado e o de Jair Bolsonaro (PSL) no federal. Todos defendem uma entidade mais protagonista no debate político.
A escolha do novo presidente da seccional paulista da Ordem será feita na próxima quinta-feira, 29, na capital e no interior. A chapa vitoriosa comandará a entidade pelos próximos três anos. O atual presidente da OAB de São Paulo e candidato à reeleição, Marcos da Costa, é o favorito, segundo pesquisa Ibope divulgada em outubro.
Costa tem 35% das intenções de voto num cenário em que 39% dos eleitores ainda estão indecisos. Ele é seguido por Serguei Cobra Arbex (6%), Caio Augusto Silva dos Santos (4%), Antonio Ruiz Filho e Leonardo Sica (com 3% cada). O Ibope não divulgou quantas pessoas foram ouvidas, em que período ou a localidade.
Os candidatos propõem mais transparência na administração da entidade e, principalmente, uma postura crítica em relação aos governos que se iniciam.
O atual presidente, Marcos da Costa, que encabeça a chapa 12, quer atuar contra a abertura indiscriminada das faculdades de direito no País. “Temos que nos preocupar com a qualidade da formação do profissional”.
Caio Augusto da Silva, da chapa 11, defende a descentralização efetiva da administração da entidade, transparência e o protagonismo da mulher advogada como bandeira. “Esse foi um dos motivos da nossa dissidência em relação à atual administração da OAB em São Paulo”.
Já o criminalista e candidato Sergei Cobra Arbex, chapa 16, diz querer recuperar o prestígio da entidade e se coloca contra a possibilidade de reeleição na presidência da entidade. “A entidade precisa ser uma referência na defesa da Constituição”
Antonio Ruiz Filho, chapa 14, defende uma reforma administrativa na Ordem que resulte em uma redução de 30% no valor da anuidade aos associados.
Para Leonardo Sica, chapa 13, um dos pontos mais importantes da nova gestão seria o de atrair os jovens para a entidade. “De fato, somos a única chapa que faz realmente oposição ao que está posto atualmente”.
CANDIDATOS
Perguntamos aos cinco candidatos à Presidência da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) qual deve ser a postura da entidade em relação aos principais debates nacionais e a relação com os governos estadual (João Doria - PSDB) e federal (Jair Bolsonaro - PSL). As respostas estão ao lado:
Caio Augusto da Silva
“Politicamente temos que nos colocar ao lado da Constituição. A Ordem não pode estar à serviço de qualquer governo de plantão. Além disso, precisa preservar uma postura independente”
Marcos da Costa
“A Ordem precisa ser uma entidade com capacidade para discutir políticas públicas. A entidade tem que construir pontes entre a sociedade civil e o Poder Público – e apresentar soluções”
Leonardo Sica
“Nossa função é defender o Estado democrático de direito. Defendemos uma entidade que reaja a qualquer iniciativas de redução do direito de defesa e supressão de garantias individuais”
Antonio Ruiz Filho
“Defendo uma entidade que tenha capacidade de se manifestar no sentindo de proteger as liberdades democráticas, independente do governo, buscando a igualdade entre os cidadãos”
Sergei Cobra Arbex
“Não podemos ficar alienados em relação ao debates e discussões nacionais. Precisamos ser transparentes para que possamos cobrar a mesma transparência dos órgãos públicos”