O globo, n. 31161, 30/11/2018. País, p. 8

 

Pastora é cotada para Direitos Humanos e Mulheres

Natália Portinari

30/11/2018

 

 

Contrária ao movimento LGBT, Damares Alves, segundo a bancada evangélica, foi chamada para a pasta. Assessora de Magno Malta, ela é contra legalização do aborto, e quer atuar no combate à ‘erotização das crianças’

A pastora evangélica Damares Alves, assessora parlamentar do senador Magno Malta (PR-ES), foi convidada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para ocupar o posto de ministra de Direitos Humanos e Mulheres. Ela é antagonista do movimento LGBT e luta contra a legalização do aborto, entre outras causas conservadoras.

A informação foi confirmada por alguns dos principais líderes da bancada evangélica, que não quiseram se identificar. Damares é vista como um nome de confiança por Bolsonaro. Seria a segunda mulher do ministério do presidente eleito, após Tereza Cristina (DEM-MS), que chefiará a Agricultura.

Anteontem, a pastora foi até o gabinete de transição e recebeu pessoalmente o convite. Ela disse que responderia até terça-feira se aceitaria ou não. O Globo apurou que Magno Malta também foi informado da possibilidade de sua assessora se tornar ministra.

Em uma entrevista em março, Damares disse que “a mulher nasceu para ser mãe” e que “ser mãe é o papel mais essencial da mulher”. Ela disse também discordar do movimento feminista, e que a preocupa o fato de a mulher estar muito fora de casa, trabalhando:

—É como se houvesse hoje, no Brasil, uma guerra entre homens e mulheres. Não existe isso. Acho que dá pra gente viver muito bem nessa sociedade que separou homens e mulheres. Como estar no mercado de trabalho sem comprometer nossas funções (femininas)? É possível.

Em entrevista ao site “Sempre Família”, em 2017, ela disse lutar pelas causas da família e pela vida. Damares adotou uma filha indígena aos 13 anos, e não pôde ter filhos biológicos devido a uma violência sexual sofrida aos 6 anos:

— Estou há anos na estrada no combate à ideologia de gênero, pois a erotização de crianças é um dos pilares desta terrível ideologia. Tenho, ainda, um trabalho na prevenção ao abuso e violência sexual de crianças.

A nomeação acontece um dia depois do anúncio de que o deputado Osmar Terra (MDB-RS) assumirá o Ministério da Cidadania, o que desagradou à bancada evangélica. O grupo havia apresentado uma lista de três indicados: os deputados Gilberto Nascimento (PSC-SP), Marco Feliciano (Podemos-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-RS).

Havia entre integrantes da bancada a expectativa era de que um dos três ficasse coma pasta de Direitos Humanos.

Publicamente, o coordenador da bancada evangélica, HidekazuTakayama (PSC- PR), disse que retirava os nomes do sindicados, mas negou uma crise com o futuro governo.

— Eles já comunicam que não querem nenhum outro ministério —disse Takayama. —Não há nenhuma obrigação da parte dele (Bolsonaro) na escolha de nomes. Apalavra cer tapara definira relação entre nós e ele é princípios.