Título: Distritais buscam acordo para aprovar reeleição
Autor: Tahan, Lilian; Maria campos, Ana
Fonte: Correio Braziliense, 28/06/2012, Política, p. 5
A emenda da reeleição virou uma queda de braço dentro da base de apoio do governador Agnelo Queiroz (PT). A um dia das férias parlamentares, é possível que o tema seja colocado em pauta, desde que os defensores da proposta consigam a certeza dos 16 votos necessários para aprovação. Um placar difícil, mas não impossível. Se a proposta passar, será uma vitória parcial da ala que defende a recondução de Patrício ao comando do Legislativo. Se for derrotada, acabou a possibilidade de o atual presidente da Câmara Legislativa permanecer no cargo até 2014.
A disputa mobilizou os deputados durante toda a tarde de ontem. De um lado, o grupo em busca de assinaturas para pautar o tema na sessão de hoje, liderado pelo deputado Cristiano Araújo (PTB). Do outro, a bancada do PT arregimentando aliados contra a tese da emenda à Lei Orgânica que permitiria a reeleição de Patrício. Esse grupo defende a eleição de Arlete Sampaio (PT) ou de Wasny de Roure (PT). Até o fim do dia, no entanto, nenhum dos dois times tinha uma matemática de votos confortável a seu favor. Os apoiadores de Patrício somavam insuficientes 14 votos. Os petistas — sem contar com Patrício — contabilizavam oito.
Isso significa que há, pelo menos, dois votos soltos, considerados dúvida tanto para um lado quanto para o outro. Olair Francisco (PTdoB) é uma dessas incógnitas. Pertence à base do governo, mas não é tido como um voto confiável. O posicionamento de Benedito Domingos (PP) também provoca incertezas, embora ele seja um aliado próximo a Agnelo. Assim como Israel Batista. Ele é contabilizado entre os que querem a reeleição, mas ontem a bancada contrária à tese também o colocava na lista para evitar o projeto. Eliana Pedrosa (DEM) também pode ajudar a definir o placar de uma possível votação da emenda da reeleição. Ela é líder da oposição e ainda não está convicta de em que time vai jogar, pelo menos sobre esse assunto.
Na conta O maior problema para eleger um petista no comando da Câmara, como espera o governador Agnelo Queiroz, é a guerra instalada na bancada do PT. Os cinco deputados petistas estão em conflito e bem distantes dos tempos de unidade de posições quando eram da oposição. Arlete e Wasny são os mais unidos. Mas Chico Vigilante e Chico Leite têm tido atritos com Patrício. Ele, por sua vez, se uniu com deputados contrários ao governo, especialmente as deputadas Celina Leão (PSD) e Liliane Roriz (PSD). Essa divisão na bancada pode provocar a vitória de um parlamentar de outra legenda, principalmente se a emenda da reeleição for rejeitada.
Nesse caso, Patrício pode trabalhar contra os nomes do PT, ajudando a eleger candidatos que atuam nos bastidores, como Agaciel Maia (PTC), Dr. Michel (PSL) ou Rôney Nemer (PMDB). Os três ainda contam com a simpatia do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), que cobra acordo pelo qual um petista seria presidente nos primeiros dois anos e um não petista comandaria na reta final da legislatura.
Para aprovar a emenda da reeleição e a própria recondução de Patrício são necessárias três barreiras. A começar pela votação da matéria hoje em primeiro turno. Para alterar a Lei Orgânica do DF com o objetivo de permitir dois mandatos numa mesma legislatura, seria preciso aprovar o texto num segundo turno, com os mesmos 16 votos. Depois disso, o nome de Patrício ainda teria de ser submetido ao crivo dos colegas. Seriam três duras negociações, com votos custosos.
16 Quantidade de votos necessários para aprovar a emenda de reeleição
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