Título: Alívio para a Espanha
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Fonte: Correio Braziliense, 22/06/2012, Economia, p. 13
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, celebrou ontem, no Brasil, os resultados das auditorias referentes ao sistema bancário da Espanha apontando que, no pior cenário, os bancos do país precisam entre 51 bilhões e 62 bilhões ante os 100 bilhões de euros ofertados pelos países da Zona do Euro. "O resultado garante que a assistência financeira posta à disposição da Espanha por nossos sócios europeus é mais que suficiente", afirmou Rajoy em um encontro com empresários em São Paulo. "O saneamento do nosso sistema bancário é um passo imprescindível no processo de recuperação da economia espanhola", completou.
Segundo Rajoy, estes resultados confirmam que as atuações realizadas até agora pelo governo eram necessárias e que as estimativas em matérias de provisão e recapitalização eram corretas. "O processo que enfrentará a Espanha para tentar sair da crise não será fácil, mas o governo o enfrentará com determinação", disse. "Estou consciente dos grandes sacrifícios que estou pedindo, mas eles não serão em vão", garantiu. Rajoy se reuniu com empresários espanhóis com investimentos no Brasil na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O governo espanhol irá usar os relatórios das auditorias das consultorias Roland Berger e Oliver Wyman para determinar quanto de ajuda será necessária para recapitalizar seus bancos em dificuldades. "O capital necessário é menor do que a quantia concordada com o Eurogroup para dar confiança e segurança aos mercados, com espaço suficiente para fazer uma reestruturação", disse Fernando Restoy, vice-presidente do Banco da Espanha e líder do fundo de reestruturação bancária Frob, em uma coletiva de imprensa em Madri.
Projeções A Espanha ainda tem que pedir formalmente à Zona do Euro pelos empréstimos oferecidos para fortalecer o setor bancário golpeado por quatro anos de queda no mercado imobiliário e profunda recessão, com um em cada quatro trabalhadores espanhóis desempregados. Dúvidas sobre a economia e os bancos colocaram a Espanha no centro da crise de dívida na região, forçando o Tesouro a pagar os rendimentos mais altos desde 1997 para vender menos de um bilhão de euros em títulos de dívida de cinco anos nesta quinta-feira.
As conclusões dos auditores foram baseadas em um cenário econômico adverso, que definiu um nível de capital 1 em 6 por cento para os bancos se o Produto Interno Bruto (PIB) cair em 4,1% neste ano e 2,1% no próximo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma contração econômica de 1,7% neste ano e outra de 0,3% em 2013. O governo espanhol disse que não espera fechar nenhum banco e prefere reestruturar aqueles que estão em dificuldade.