Título: EUA e Rússia Clavam as mãos
Autor: Fernanda Seixas, Maria
Fonte: Correio Braziliense, 30/06/2012, Mundo, p. 25

No dia em que opositores denunciaram um novo massacre de pelo menos 51 civis no subúrbio de Damasco, o ditador sírio, Bashar Al-Assad, concedeu uma polêmica entrevista à televisão iraniana, na qual afirmou que era seu dever aniquilar os "terroristas". A sexta-feira — sagrada para os muçulmanos — foi palco de protestos envolvendo milhares de manifestante. Em mais uma tentativa de pôr fim à crise, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o chanceler russo, Serguei Lavrov, se reuniram em São Petersburgo (Rússia) e chegaram à conclusão de que a Síria deve resolver o conflito sozinha, sem intervenções externas.

O encontro de ambos os países, que recentemente chegaram a trocar farpas sobre o envio de armas para a Síria, deve repercutir na reunião das Nações Unidas, em Genebra. O enviado da Liga Árabe a Damasco, Kofi Annan, mostrou otimismo. Segundo ele, a discussão de uma possível transição de governo certamente "terminará com um resultado aceitável". Al-Assad alertou que não aceitará a ingerência de outros países. "Ninguém sabe resolver os problemas da Síria melhor do que nós", afirmou.

Na fronteira turco-síria, a tensão aumentou. Uma semana após a derrubada de um caça da Turquia por forças sírias, Damasco mobilizou 170 tanques em cidades próximas ao país vizinho. Na quinta-feira, Ancara já havia enviado tropas para a região fronteiriça. Para o ativista sírio Ammar Abdulhamid, membro da Fundação para a Defesa das Democracias, um possível embate entre as duas nações dependerá da intensidade do ultimato turco exigindo que as forças de Al-Assad fiquem longe das fronteiras. "A Turquia continua hesitante para agir por conta própria, e é claro que o governo está sendo pressionado pelos seus aliados da Otan, especialmente os EUA, para manter a calma", disse ao Correio.

Na internet, dezenas de filmagens amadoras denunciaram um massacre em Douma, que teria sido cometido por forças do governo na tarde de ontem. De acordo com o Observatório Sírio para Direitos Humanos, 51 pessoas morreram, incluindo várias crianças e mulheres. A cidade de Homs teria sofrido o pior ataque militar no local desde o início dos protestos contra Al-Assad.

Juramento simbólico na Praça Tahrir

O presidente egípcio eleito, o islamita Mohamed Morsy (C), prestou simbolicamente seu juramento a milhares de pessoas, na Praça Tahrir, e avisou ao Exército que nenhum poder está acima do povo. "Juro por Deus preservar o sistema republicano, respeitar a Constituição e a lei, proteger os interesses do povo", declarou. Morsy prometeu um Estado "civil e moderno".