Título: Franco denuncia sanções vexatórias
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Fonte: Correio Braziliense, 02/07/2012, Mundo, p. 15

Em um discurso oficial perante os parlamantares, que marcou a abertura do ano legislativo do Congresso, o novo presidente paraguaio, Federico Franco, criticou a decisão do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) de suspender o país de ambos os blocos. A punição, apresentada na sexta-feira passada, foi uma retaliação ao impeachment de Fernando Lugo, em 22 de junho.

Contrariado com a determinação da Argentina, do Brasil e do Uruguai, Franco leu uma mensagem na qual garantiu que nenhuma força estrangeira impedirá o país de seguir o rumo decidido pelo Congresso após da saída de Lugo. "O Paraguai lamenta as vexatórias sanções do Mercosul e da Unasul, ditadas em aberta violação dos tratados vigentes e sem nos conceder o direito de defesa", afirmou. Segundo a agência de notícias France Presse, o presidente considerou "injusta e desproporcional" a reação dos países vizinhos e garantiu que essas nações "excederam em suas faculdades".

Durante o pronunciamento, Federico anunciou que apelará das ações, sob o amparo do direito internacional, para tentar reverter a medida. "Uma longa relação de dignidade da República do Paraguai nos inspira e nos guia", defendeu-se. Por enquanto, o Paraguai está proibido de participar da reunião dos dois blocos até a próxima eleição, prevista para abril de 2013.

Por outro lado, os vizinhos sul-americanos consideraram que a decisão de afastar Lugo fragilizou a democracia do país. Para os países que integram o Mercosul e a Unasul, o ex-presidente foi submetido a um julgamento sem direito à defesa. Isso contrariaria, então, as determinações do Protocolo de Ushuaia, assinado em 1998 — o pacto obriga os integrantes do grupo a manterem governos democráticos.

Apesar da expulsão dos blocos, o Paraguai não sofrerá sanções econômicas, o que representaria um grande prejuízo ao país, já que parte das exportações paraguaias são destinadas aos ex-sócios do Mercosul. Em uma entrevista ao jornal argentino Clarín, Lugo criticou a classe política de seu país e deu indícios de uma possível candidatura ao Senado nas eleições de 2013. Também estava prevista para ontema chegada do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, ao Paraguai. Ele se reunirá com ministros e com o próprio Franco. O objetivo da visita seria analisar a permanência do país na organização.