Título: Solução à vista em Belo Horizonte
Autor: Souto, Isabella; Mello, Alessandra
Fonte: Correio Braziliense, 04/07/2012, Política, p. 5
São Paulo e Belo Horizonte — O ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias será o candidato do PT à prefeitura da capital. A decisão foi tomada ontem por unanimidade pelo comando nacional do partido, em São Paulo, depois de uma reunião de cerca de três horas com representantes do diretório mineiro. O grupo também anunciou que o candidato a vice na chapa vai ser indicado pelo PMDB e o coordenador da campanha será Roberto Carvalho, que havia sido escolhido candidato depois do rompimento com o PSB, na convenção de sábado. A troca dos nomes só vai ser oficializada com a confirmação da renúncia de Roberto Carvalho, registrado oficialmente anteontem como candidato na Justiça Eleitoral. À reportagem, Roberto Carvalho, atual vice-prefeito de Belo Horizonte, disse apenas que é "homem de diálogo" e que anuncia sua posição oficial amanhã.
Hoje, Roberto Carvalho se reúne em São Paulo com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, que vai a Belo Horizonte amanhã para participar do registro da chapa e da comemoração pelo lançamento da candidatura própria. A indicação do vice está sendo negociada diretamente por Falcão com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Os dois mantém conversas desde ontem e, nesta quarta-feira, devem bater o martelo sobre o nome. O candidato do PMDB à prefeitura, Leonardo Quintão (PMDB), vai renunciar e um novo nome será indicado. Escolhido em convenção, Carvalho registrou a candidatura na segunda-feira. Pela legislação eleitoral, o concorrente do PT só muda se a candidatura for indeferida, houver renúncia ou morte do nome registrado. Ontem, ele passou o dia em conversas com lideranças nacionais, incluindo o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, incumbido de intermediar um encontro com a presidente Dilma Rousseff amanhã.
Unidade
Embora evite confirmar a saída da disputa, nos bastidores, a saída de Roberto Carvalho é dada como certa. "Sou um homem do diálogo e, acima de tudo, petista. Minha preocupação é com a unidade do PT e vou fazer tudo que for preciso pela vitória do partido", afirmou. Informado da decisão por Patrus Ananias, Carvalho afirmou ter dito à Executiva Nacional que caberá a ele e a Patrus decidirem juntos quem será o candidato. "O Patrus é meu irmão e estaremos juntos", disse. O vice-prefeito tomará a decisão depois de conversar também com Rui Falcão, Dilma e a comissão de mineiros que participou da reunião. "Tenho até quinta-feira para tomar a decisão", disse.
Carvalho negou ter pedido a vaga de vice na chapa ou outra contrapartida para desistir. "Nunca reivindiquei nada no PT, a única coisa que reivindico é o bem de Belo Horizonte", afirmou. O vice-prefeito se considera vitorioso por ter conseguido, enquanto único defensor, emplacar a candidatura própria petista. "Antes, todos diziam que eu era louco de defender a candidatura própria. A história mostrou que eu estava certo", disse.
PSB foi o pivô da crise
O deputado federal Miguel Corrêa Júnior (PT), que já tinha sido indicado pelo partido para ser o vice do prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição, será um dos coordenadores da campanha de Patrus Ananias. "O diretório referendou a indicação de Patrus porque acredita que ele é o nome capaz de manter o partido unido e que tem melhores condições de vencer as eleições", disse Miguel.
O presidente do PT, Rui Falcão garantiu que a candidatura própria é irreversível. "Entendemos isso como um gesto político e não uma simples decisão partidária. Não tem mais volta e estamos unidos para enfrentarmos essas eleições", assegurou Falcão.
Segundo o presidente do PT, o rompimento ocorre porque o PSB não cumpriu o acordo firmado com os petistas de se coligar com o partido na disputa pelas vagas de vereador. A aliança foi garantida em documento assinado pelo presidente do PSB mineiro, Walfrido Mares Guia. Falcão, entretanto, negou qualquer relação entre o rompimento com o PSB em Belo Horizonte e o fato de os socialistas terem decidido não se aliar ao PT em Pernambuco e no Ceará. "Não vou classificar o que aconteceu, mas em Recife e Fortaleza havia uma expectativa de continuidade da frente popular que não se consumou. Em Belo Horizonte havia um acordo por escrito que foi rompido."