Título: Publicidade generosa antes das eleições
Autor: Caitano, Adriana
Fonte: Correio Braziliense, 11/07/2012, Política, p. 4

Prestes a enfrentarem o crivo das urnas municipais em outubro, deputados federais e senadores candidatos aumentaram em até 1.337% os gastos com a divulgação do mandato no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A utilização da verba não é ilegal, mas o levantamento feito pelo Correio aponta uma variação exorbitante. O valor para a propaganda parlamentar, de R$ 15 mil no caso do Senado e até R$ 34,2 mil, no caso da Câmara, pode ser destinado a envio de cartas e cartões, impressão de cartazes e jornais institucionais, entre outros. Este ano, a Câmara ainda ampliou de abril para junho o último mês em que é permitido aos deputados candidatos utilizarem a verba.

A reportagem analisou a prestação de contas dos 35 deputados e senadores que são candidatos nas capitais brasileiras. Os dados estão disponíveis nos sites da Câmara e do Senado. Somados os custos de divulgação e serviços postais de janeiro a junho deste ano, o deputado Reinaldo Azambuja (PSDB-MS), candidato em Campo Grande, foi o campeão de gastos: R$ 96.450,47. Em segundo lugar, ficou o deputado José Priante (PMDB-PA), candidato em Belém, com R$ 74.516,85, seguido de Teresa Surita (PMDB-RR), candidata em Boa Vista, que gastou R$ 58.879,85.

Se for considerada apenas a diferença entre os seis primeiros meses de 2011 e o mesmo período de 2012, o deputado Henrique Oliveira (PR-AM), candidato em Manaus, foi o que apresentou a maior variação percentual: 1337% (veja quadro).

Motivação eleitoral Embora registrem crescimentos consideráveis, praticamente todos os parlamentares negam terem utilizado a verba de modo ilegal. "Para divulgação não existe limite, então seria lógico que, se eu tivesse motivações eleitorais, teria gastado muito mais do que o valor que gastei. Logicamente não tomaria uma atitude como essa", comenta Henrique Oliveira. "Este é o meu primeiro mandato como deputado federal. Estou prestando contas com os meus eleitores ao fazer divulgação."

O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), candidato em Manaus, que ficou em quinto no ranking de variação de gastos, questionou a comparação. "Analisar somente por esse critério é incentivar o gasto elevado constante, quando é preciso ficar claro quem realmente utiliza mal esse benefício."

Por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado Edson Giroto (PMDB-MS), candidato em Campo Grande, considerou o gasto para dar publicidade à atividade parlamentar necessário. "É a maneira de mostrar à sociedade sul-mato-grossense o trabalho que ele realiza em Brasília", informaram os assessores. "Este aumento se deve ao aumento da demanda da atividade parlamentar no Congresso Nacional, uma vez que no início do ano passado o deputado tomou posse e não fazia parte de comissões e nem havia garantindo emendas no Orçamento da União."

Também pela assessoria, o deputado José Priante justificou que, em 2011, início de seu primeiro mandato, não tinha ainda atividades parlamentares para divulgar. "O crescimento da divulgação é proporcional ao aumento de sua atuação", informou a assessoria.

Por meio da assessoria, Inácio Arruda disse que concentrou os gastos do ano nos primeiros seis meses, já que praticamente não poderá utilizar os recursos no segundo semestre. A deputada Teresa Surita alega que os gastos de R$ 58 mil "não são absurdos e se referem à fabricação de dois boletins". Os demais parlamentares não foram encontrados.