Título: Emprego industrial desaba
Autor: Ribas, Sílvio
Fonte: Correio Braziliense, 11/07/2012, Economia, p. 11
A forte retração do setor industrial, atingido em cheio pela crise mundial, fez com que o emprego nas fábricas registrasse, em maio, a oitava queda consecutiva, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a abril, o recuo no número de vagas foi de 0,3%. Ante maio de 2011, o tombo atingiu 1,7%, o maior desde dezembro de 2009.
Nessa mesma base de compara-j ção, a folha de salários caiu 2,8%
Segundo o IBGE, houve recuo no emprego em 12 das 14 regiões pesquisadas. O principal impacto negativo foi registrado em São Paulo, com queda de 3,2%. A Região Nordeste, com baixa de 2,6%, também contribuiu para a péssima notícia aos trabalhados e ao governo, já que a indústria paga os maiores salários médios e oferece os postos de maior qualificação. No Rio, houve retração de 0,8%. Os únicos dois estados com resultados positivos foram Paraná (2,2%) e Minas Gerais (0,3%).
Por atividades pesquisadas, o emprego industrial recuou em 12 dos 18 ramos industriais pesquisados. Os maiores cortes foram verificados nos segmentos de vestuário (-8,7%), madeira (-7,7%), calçados e couro (-6,1%) e têxtil (-5,7%). Na mão inversa, os principais impactos positivos foram observados na indústria extrativa (3,4%), no setor de alimentos e bebidas (3%) e entre as s fabricantes de máquinas e equipamentos (2%).
Dor de cabeça Para os especialistas, a indústria ainda será motivo de grande dor de cabeça para o governo nos próximos meses e, dificilmente, dará contribuição tão cedo para a desejada retomada do crescimento. Eles acreditam que as demissões das fábricas tenderão a continuar e sustentam essa perspectiva com base na redução de 0,6% no número de horas trabalhadas. Esse é o primeiro passo antes de as empresas fecharem postos, pois custa caro demitir no Brasil.
O governo acredita que, no início do próximo ano, com todas as medidas de estímulos dadas ao consumo e à queima de estoques, a produção industrial terá recuperado o fôlego e ajudará para um resultado melhor do Produto Interno Bruto (PIB). “A torcida é grande” disse um técnico do governo.