Título: Brasil cresce menos, diz FMI
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 17/07/2012, Economia, p. 11
Em meio ao agravamento da crise na Europa e aos números pouco animadores da atividade nos Estados Unidos, que derrubaram, ontem, as bolsas internacionais, o Fundo Monetário Nacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia mundial neste ano e fez vários cortes no desempenho esperado para as nações es em desenvolvimento. No caso do Brasil, o organismo prevê expansão de apenas 2,5% em 2012, bem abaixo dos 3,1% estimados em abril. A previsão é idêntica à feita no mês passado pelo Banco Central.
Além de baixar de 3,6% para 3,5% a expectativa de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta este ano, o FMI sinalizou que continuará diminuindo as perspectivas futuras se as autoridades europeias não agirem com força suficiente e não acelerarem as ações para mitigar a crise de dívida da região, que continua sendo a maior ameaça no cenário global. "O principal risco é óbvio: que o círculo vicioso de Espanha e Itália volte mais forte, que a produção baixe ainda mais, que alguns países percam seu acesso aos mercados financeiros", disse o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard.
Brics De acordo com a instituição, o Brasil terá o pior desempenho entre os países do Brics — grupo integrado também por Rússia, Índia, China e África do Sul, que avançarão, respectivamente, 4%, 6,1%, 8% e 2,6%. Por outro lado, o FMI melhorou a expectativa de expansão do PIB brasileiro de 2013 em 0,5 ponto percentual, para robustos 4,6%. Para as demais economias do bloco, no entanto, a avaliação ficou pior. A estimativa da China foi reduzida de 8,8% para 8,5%; a da Índia, de 7,2% para 6,5%; a da Rússia, de 4% para 3,9%; e a da África do Sul, de 3,4% para 3,3%.
Abaixo da média Além de crescer abaixo da média mundial em 2012, o Brasil avançará menos que o resto da América Latina, que terá uma expansão de 3,4%, em vez dos 3,5% calculados em abril. Mesmo assim, as projeções do FMI sobre a economia brasileira são consideradas otimistas. "O Fundo ainda prevê um crescimento maior que o mercado, que acabou de reduzir a expectativa do PIB brasileiro para menos de 2%", destacou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. "As nações emergentes estão perdendo o fôlego e não deverão ajudar a recuperação da economia global como ocorreu na crise de 2009. Com isso, o FMI poderá fazer novos cortes nas perspectivas", destacou.
A instituição multilateral, no entanto, demonstrou otimismo com os países em desenvolvimento e não espera que piore a atual pressão sobre as economias emergentes, que passaram a dar suporte ao crescimento global. "Precisamos realmente ver caso a caso, mas, no geral, achamos que as economias emergentes conseguirão elevar a demanda e crescer a taxas bastante boas", disse Olivier Blanchard.
O Fundo reduziu a estimativa de avanço do conjunto dos países em desenvolvimento, projetando expansão de 5,6%, em 2012, e de 5,9%, em 2013. Já os desenvolvido crescerão apenas 1,4% este ano e 1,9 % no próximo.