Título: Inaugurações no radar da Justiça
Autor: Braga , Juliana
Fonte: Correio Braziliense, 06/07/2012, Política, p. 5

A um dia do prazo final para inaugurações antes das eleições municipais de outubro, o Ministério Público Federal Eleitoral no Rio de Janeiro decidiu antecipar a regra e recomendou que o prefeito Eduardo Paes não participe de evento com a presidente Dilma Rousseff marcado para hoje. O intuito é evitar que o evento se caracterize como propaganda ilegal de campanha. Dilma vai inaugurar novas unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, além de uma ala de emergência no hospital Miguel Couto.

Em consulta feita pelo PMDB à Corte, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) entendeu que Paes poderia participar da inauguração, desde que não discursasse e não fizesse menção à campanha. Já o procurador regional eleitoral Maurício Ribeiro tem o posicionamento de que, mesmo com esse prazo, o evento representaria uso da máquina pública para benefício próprio, conduta vedada a agentes públicos. A partir de hoje, Paes é candidato à reeleição, já que o período de inscrição de candidaturas se encerrou ontem.

A decisão não agradou o procurador. Para ele, a exigência não será cumprida. "Dilma não está gastando tempo e avião para ficar aqui olhando para a cara dele", critica. Caso descumpra o entendimento do TRE, Paes está sujeito a multa e, em último caso, pode ter o registro cassado. Ontem, Dilma Rousseff esteve em São Bernardo do Campo (SP) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o prefeito da cidade, Luiz Marinho. Eles inauguraram Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Por teleconferência, ela também participou de evento similar em Porto Seguro (BA), comandado pelo prefeito Gilberto Abade (PSB) e por partidos aliados.

Em São Bernardo, Dilma destacou as ações de Marinho. "Só pegando as palavras do Marinho: o governo dá muita importância a garantir serviços públicos de qualidade", citou. Além disso, foram espalhadas pela cidade cartazes chamando para o evento com fotos de Marinho e outros políticos da região.

Protestos e vaias A presidente Dilma Rousseff tentou acalmar manifestantes que, com faixas, conseguiram entrar no evento e vaiaram as autoridades presentes. Eles pediam mais verba para a educação e atenção às universidades federais, que já estão em greve desde 17 de maio. "O pessoal pode acalmar que as coisas irão para os seus lugares na hora certa", disse a presidente.

"Dilma não está gastando tempo e avião para ficar aqui olhando para a cara dele (Eduardo Paes)" Maurício Ribeiro, procurador