Título: Mercados reagem mal
Autor: Hessel , Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 06/07/2012, Economia, p. 9
Os mercados reagiram com ceticismo à rodada de revisões dos juros promovida pelos bancos centrais europeu e chinês. Em um dia de forte volatilidade, as principais bolsas de valores tiveram uma onda de queda, que começou já no fechamento do pregão em Tóquio, com o índice Nikkei perdendo 0,27%. Na Europa, com exceção de Londres, que encerrou a sessão em alta de 0,14%, as praças mais importantes terminaram em baixa. A desvalorização alcançou 0,45% em Frankfurt, 1,17% em Paris, 2,03% em Milão e 2,99% em Madri.
A Bolsa de Valores de São Paulo, no entanto, descolou-se do cenário externo e teve ontem a quinta elevação consecutiva, com valorização de 0,54%. O movimento de alta foi impulsionado pelas negociações com ações da Vale e da Petrobras, e levou o Ibovespa a acumular ganho de 7,07% nos últimos cinco pregoes. Para a economista Vitoria Saddi, professora do Insper, o bom resultado não é consistente. "O nível da Bovespa ainda é historicamente baixo. Ou seja, é como um bando de anões, e o Brasil é o anão mais alto", disse. Já o dólar refletiu o pessimismo do mercado externo e subiu 0,35%, cotado a R$ 2,020 no fechamento.
PIB fraco O agravamento da crise europeia tem levado os analistas a reduzir cada vez mais as projeções de crescimento da economia. O banco HSBC, por exemplo, cortou a expectativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas) da América Latina de 3,8% para 3,2% em relação ao levantamento feito em março. Brasil e Colômbia foram os países que tiveram as maiores baixas, destacou relatório divulgado ontem pelo banco. "O Brasil terá o pior crescimento da região", disse o economista-chefe para a América Latina do HSBC, Andre Loes. Ele estimou um avanço de 2,5% na economia brasileira este ano, um número abaixo da média do continente, de 3,7%, e da projeção anterior de 3,3%.
O banco aposta que a inflação do país ficará em 5% em 2011 e que a taxa básica de juros cairá para 7,5% até o fim do ano. Loes manteve as expectativas de expansão da Argentina (3%), do Chile (4%) e do México (3,4%). Cortou a da Colômbia de 5% para 4,5% e elevou a da Venezuela de 4% para 4,6%. Para 2013, reduziu a previsão de alta do PIB latino-americano de 4,2% para 3,7%, abaixo da média de 4% do mercado. A projeção de avanço para o Brasil no ano que vem é de 3,8%, contra 4,5% estimados anteriormente.
A Capital Economics está bem mais pessimista e informou ontem que acredita ser difícil que a América Latina consiga crescer mais do que 2,5% em 2012 e em 2013. A consultoria britânica cortou recentemente de 2,5% para 1,7% a expectativa de crescimento do PIB brasileiro. Anteontem, a companhia soltou um relatório alertando para o risco do estouro da bolha de crédito no país. (Colaborou Deco Bancillon)