Título: Fuga em massa para o Líbano
Autor: Braga , Juliana
Fonte: Correio Braziliense, 20/07/2012, Política, p. 4
Com a situação de segurança e violência se deteriorando internamente, os sírios buscam cada vez mais refúgio além das fronteiras. Entre quarta-feira e ontem, mais de 18,6 mil pessoas deixaram o país — especialmente a capital, Damasco — rumo ao vizinho Líbano. Segundo a agência das Nações Unidas para refugiados, o Acnur, o número de asilados sírios nesse país, somado ao do Iraque, da Jordânia e da Turquia, quase triplicou desde abril e se aproxima de 112 mil. Na Síria vivem também cerca de 3 mil brasileiros, incluindo os de dupla nacionalidade, mas ainda não há nenhuma operação em curso para sua retirada. O Itamaraty disse que monitora de perto a situação deles, assim como a da Embaixada do Brasil em Damasco, e algumas possibilidades estão em avaliação, como o reforço na segurança.
O número de refugiados no Líbano foi divulgado para as agências de notícias por fontes da segurança local, não identificadas. Segundo a agência de notícias France-Presse, os 18,6 mil sírios chegaram pelo posto fronteiriço de Masnaa, no leste do Líbano. Muitos buscavam cuidados médicos, de acordo com a agência. A migração se intensificou com o acirramento dos combates entre o Exército Sírio Livre (ESL) e as forças do regime, em Damasco. O Acnur revelou que a maioria dos refugiados é composta por mulheres e crianças. "Alguns têm somente a roupa do corpo", afirmou o porta-voz Adrian Edwards.
Os que têm condições buscam apoio com parentes que vivem nos países mais distantes. O sírio Gassan Amar, tradutor em Brasília, relatou a agonia de quem acompanha a situação dos parentes que estão na Síria. Ele aguarda a chegada de uma sobrinha que vive na cidade de Aleppo. Inconformado com a violência em seu país, ele disse que os 3 a 4 milhões de sírios e descendentes radicados no Brasil acompanham aflitos o desenrolar da situação. "Não existe uma pessoa na comunidade que não esteja preocupada. Todos estão em contato com os familiares", afirmou o sírio de 54 anos, há 24 vivendo aqui. "Antes das explosões em Damasco, nós tínhamos a esperança de que as coisas melhorassem. Agora, estamos mais preocupados do que nunca. A Síria não merece que todo esse sangue seja derramado."
Brasileiros
O Ministério das Relações Exteriores acompanha a situação do corpo diplomático e dos cerca de 3 mil brasileiros no país, inclusive os de dupla nacionalidade. Segundo o Itamaraty, o governo está preparado caso precise retirar essas pessoas ou reforçar a proteção da representação, e tem discutido diariamente a situação com o embaixador em Damasco, Edgar Casciano. Ontem, em entrevista à rádio brasileira Jovem Pan, o embaixador afirmou que a situação "está cada dia mais difícil", do ponto de vista da segurança.
O diplomata garantiu, porém, que aqueles que queiram deixar a Síria não enfrentam impedimentos, uma vez que os aeroportos não foram afetados pela escalada dos combates. A situação é diferente da vivenciada pelos brasileiros durante a crise na Líbia, no ano passado, quando as pistas dos aeroportos foram bombardeadas. Além disso, os brasileiros radicados na Líbia se constituíam principalmente de funcionários de empresas que atuavam no país — e que providenciaram o resgate com a contratação de navios. Uma possível transferência da embaixada da Síria para o Líbano também é considerada pelo Itamaraty.
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