Título: BC indica novo corte da Selic
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Fonte: Correio Braziliense, 20/07/2012, Economia, p. 11
Diante da dificuldade global para encontrar uma saída para a crise, e de um Brasil que cresce pouco, o Banco Central de Alexandre Tombini deverá jogar mais combustível na economia em agosto. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, levou os analistas a reforçarem as apostas em mais uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) no próximo mês. Os analistas, porém, ficaram divididos quanto ao que pode ocorrer a partir de outubro. Uma certeza, no entanto, é que o BC já prepara o mercado para o fim do ciclo de afrouxamento monetário.
Segundo especialistas, ao usar a palavra %u201Cparcimônia%u201D ao se referir a qualquer movimento adicional de flexibilização dos juros, o BC indicou que o momento de interromper a redução das taxas está ficando próximo. A dúvida é saber o que tem mais peso na decisão da autoridade monetária: a recuperação mais intensa da economia brasileira, prevista para o segundo semestre, ou a continuidade da fraqueza internacional.
A resposta para essa questão indicaria se a Selic será mantida em 7,5% ao ano, a partir de agosto, ou se há espaço para nova quedas. %u201CA impressão é de que essa ata foi um pouco mais dura que a anterior, mas não o suficiente para alterar a visão majoritária do mercado, que prevê mais um corte de 0,50 ponto percentual em agosto%u201D, resumiu Constantin Jancso, do Banco HSBC.
Por outro lado, as previsões do BC para a inflação estão melhores. De acordo com a ata, o BC calcula que, desde maio, as pressões sobre o custo de vida se reduziram e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano mais próximo da meta de 4,5%. Para 2013, a projeção também melhorou, mas continuou acima do alvo. O documento ainda trouxe estimativas para a evolução do preço de alguns produtos essenciais. Gasolina e gás de cozinha não sofrerão mais reajuste em 2012. As tarifas de eletricidade, em contraponto, devem subir 1,4% %u2014 na reunião de maio, a expectativa era de uma elevação de 1,3%. Já as tarifas de telefonia fixa devem ficar 1% mais baratas %u2014 antes, o BC projetava que elas encareceriam 1,5%.
O Copom constatou que a crise reduziu os fluxos de investimento para o Brasil. E fez questão de deixar claro, mais uma vez, que não compactua com decisões do governo que possam comprometer a solidez fiscal, ao frisar a importância do superavit primário (economia para pagar os juros da dívida) como ferramenta auxiliar na estabilização da economia e redução da dívida pública. O colegiado aposta que será cumprida até 2014 a meta cheia de superavit, equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Evento extremo Quanto ao cenário internacional, o órgão descarta a possibilidade de ocorrer um %u201Cevento extremo%u201D, como a quebra de uma grande instituição financeira. %u201CO BC está colocando na conta tanto as eleições gregas como o pacote de ajuda a Espanha, duas coisas que diminuíram os riscos, mas não acabaram com eles%u201D, argumentou Daniel Moreli, do banco Indusval e Partners. Eduardo Velho, da Corretora Prosper, chama a atenção para o parágrafo 22 da ata, o qual afirma que a perspectiva para atividade global se consolidou de maneira mais moderada do que o esperado. %u201CO BC reforça a avaliação de que, no fim do terceiro trimestre, deverever para baixo a estimativa de crescimento de 2,5% do PIB%u201D, disse.