Título: De olho em parcerias para o DF
Autor: Campos , Ana Maria
Fonte: Correio Braziliense, 20/07/2012, Cidades, p. 27
Cingapura — Na terceira etapa da missão oficial ao Oriente e Europa, o governador Agnelo Queiroz (PT) chega hoje a Xangai, cidade de negócios na China, para uma agenda de quatro dias. Já no desembarque, o chefe do Executivo do Distrito Federal pegará um trem bala — transporte de alta velocidade — com destino ao Parque Industrial de Suzhou, a 80 quilômetros de Xangai. A cidade é um símbolo da eficiência de uma parceria entre Cingapura e China na aplicação de recursos para o desenvolvimento econômico.
Suzhou surgiu do nada em 1994. Uma zona rural, degradada e inóspita há 18 anos, é hoje um polo industrial importante do leste da China, com 860 mil habitantes. O boom de desenvolvimento na região provocou a criação de 160 mil empregos. Uma revolução financiada pelo capital do mundo inteiro, sob a coordenação do governo chinês e de Cingapura. Em 2011, o aporte de recursos na região ultrapassou U$ 43,8 bilhões, o correspondente a R$ 87,6 bilhões. Dinheiro de muitas nacionalidades: Europa (25%), Estados Unidos (24%), Cingapura (6%), Japão (13%), Korea (5%), Taiwan, Hong Kong e Macau (22%) e outros (5%).
Os investimentos são administrados por uma joint venture, formada por um consórcio chinês que detém 52% do negócio, outro cingapuriano, com 28% de participação, e mais três acionistas. A cidade tem perfil semelhante a áreas de desenvolvimento em estudo no Distrito Federal. Do montante de empresas instaladas em Suzhou, 48,8% produzem eletrônicos, tecnologia da informação e telecomunicações e 11% são voltadas a laboratórios, pesquisas médicas e equipamentos de saúde.
Durante a viagem à Ásia, Agnelo demonstrou intenção especial pelo projeto. Duas grandes empresas participantes dessa transformação urbana — a Singbridge, gigante na área de infraestrutura e soluções de planejamento urbano, e a Jurong Consultoria Internacional, com expertise em planos diretores, ambas instaladas em Cingapura — demonstraram interesse em investir no Distrito Federal.
Na sede da Singbridge, Agnelo declarou ontem interesse em firmar parcerias com as empresas. A Singbrdige ficaria encarregada da infraestrutura urbana e do gerenciamento do Parque Tecnológico da Cidade Digital, tornando-se sócia da Companhia de Desenvolvimento do DF (Terracap), caso dispute e vença a licitação pública. O presidente da Terracap, Antônio Lins, vai enviar à sede em Cingapura os detalhes da consulta pública lançada na semana passada para debater o projeto da Cidade Digital.
Na reunião realizada ontem, o diretor da Singbridge, Abel Ang, deixou claro que o grupo não está habituado a disputar licitações para fechar parcerias empresariais. Além de Suzhou, a empresa tem experiências de sucesso na Indonésia, no Vietnã, na Índia e outros na China. Mesmo assim, há interesse no negócio.
Abel Ang já esteve três vezes em Brasília, onde se reuniu com o presidente da Terracap. O grupo, que ainda não tem nenhum projeto fora da Ásia, demonstra disposição de investir no Brasil, uma vez que as perspectivas nacionais, pelo crescimento da economia, são consideradas de sucesso no mundo empresarial. "Temos grande interesse em estreitar relações para soluções urbanas", disse o executivo da Singbridge. "Visitei Brasília e a Terracap para prospecção de negócios e, por enquanto, o que temos é uma demonstração de interesse mútuo, uma sondagem", afirmou Ang.
Agnelo gostou do que ouviu. Abel Ang disse que a Singbridge, uma subsidiária do Fundo Soberano, um dos maiores e mais ricos fundo de investimentos do mundo, vai estudar o empreendimento. "Somos especialistas em encontrar fórmulas de desenvolvimento e de geração de empregos", assegurou.
Para Ang, ainda há muito espaço para crescimento dos investimentos estrangeiros no Brasil. Para se ter uma idéia, segundo números que o executivo citou, Cingapura, uma ilha de prosperidade de apenas 720 metros quadrados e população de 5 milhões de habitantes, aplicou US$ 11 bilhões — R$ 22 bilhões — em projetos estratégicos no exterior, em 2011. Enquanto isso, o Brasil recebeu U$ 65 bilhões, correspondente a R$ 130 bilhões.