O globo, n. 31167, 06/12/2018. País, p. 9
Dodge denuncia Geddel e Lúcio por desvio na Câmara
Mateus Coutinho
06/12/2018
Mãe do ex-ministro também é investigada; procuradora-geral aponta que família se apropriou de salários de servidores
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou ontem o ex- ministro Geddel Vieira Lima (MDB), seu irmão e deputado federal, Lúcio Vieira Lima (MDB), a mãe dos dois políticos, Marluce Vieira Lima, e outras cinco pessoas por suspeita de terem desviado o dinheiro do salário dos secretários parlamentares de Lúcio na Câmara.
O episódio foi apurado em um dos desdobramentos do inquérito que levou à descoberta de malas com R$ 51 milhões encontradas em setembro do ano passado em um apartamento usado pela família em Salvador.
Em relação às malas de dinheiro, os irmãos já foram denunciados no ano passado por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Job Brandão, que trabalhou para a família por 27 anos e revelou os crimes, não foi denunciado, devido à sua colaboração.
Agora, Dodge aponta na denúncia que, além dos crimes de corrupção já indicados na acusação anterior, parte dos recursos que estavam no apartamento de Salvador veio do dinheiro dos vencimentos dos secretários parlamentares de Lúcio Vieira Lima que foram desviados. Para a procuradora-geral, a família chegou a se apropriar de até 80% dos salários dos secretários Job Ribeiro Brandão, que colaborou com as investigações, Valério Sampaio Sousa Júnior, Cláudia Ribeiro Santana, Milene Pena e Paulo Cezar Batista.
Segundo a PGR, as investigações revelaram a existência de “funcionários fantasmas” no gabinete de Lúcio Vieira Lima bem como a relação criminosa estabelecida a partir de indicações para cargos em comissão pelo parlamentar. Segundo as provas coletadas ao longo da investigação, os assessoresatuavam para atender interesses domésticos, pessoais e de negócios dos Vieira Lima, chegando a atuar na contabilidade das despesas da família, como motorista e até cuidador. “Outros funcionários moravam em cidades distantes de Salvador e de Brasília e, confessadamente, nunca exerceram qualquer função relacionada à Câmara dos Deputados, órgão que por anos os remunerou”, pontua a PGR em um dos trechos da denúncia.
Ao detalhar o cri mede peculato, D od gea firma que, apenas no caso de Brandão, foram desviados R$4,3 milhões ao longo de 27 anos. A denúncia será analisada pelo relator do caso no STF, ministro Edson Fachin. A defesa da família Vieira Lima não retornou o contato da reportagem.