Título: Mais de 34 mil denúncias de abuso sexual
Autor: Leite, Larissa ; Castro, Grasielle
Fonte: Correio Braziliense, 14/07/2012, Brasil, p. 10

No quesito violência, os dados demonstram que ainda há muito o que avançar nas políticas públicas. Levantamento do Disque Direitos Humanos, Disque 100, de janeiro a abril de 2012, mostra que o módulo Criança e Adolescente recebeu 34.142 denúncias de exploração sexual infantil - 71% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. A coordenadora de programas da Childhood Brasil, Anna Flora Werneck, lembra que a questão do abuso e da exploração sexual ainda é muito velada, coberta por um manto de violência. "Existem dois aspectos mais latentes nessa questão. De um lado as famílias têm vergonha de expor esse tipo de problema. E, de outro, existe a forte exploração sexual, que ocorre quando o sexo é fruto de troca, desde financeira, a drogas e bens de consumo, o que também acaba levando os jovens para o tráfico."

A proteção à criança e ao adolescente, ressalta Anna Flora, é o maior bem em que um país pode investir. "Somos feitos de história e a nossa pátria é a nossa infância. Se a gente não consegue garantir uma infância saudável com acesso a serviços, comprometemos o futuro dessas crianças e das próximas gerações. Precisamos de um orçamento melhor para programas da infância, de um olhar atento para as políticas públicas." Anna Flora, porém, ressalta que a ideia da presidente de tirar as crianças da miséria surte efeito positivo na questão da exploração.

Rede Cegonha Na área da saúde, a principal aposta do governo para acolher as crianças foi o programa Rede Cegonha, articulado pelo Ministério da Saúde. Com o objetivo de diminuir os índices de mortalidade materna e infantil, o programa promete reduzir as complicações na gravidez ao incentivar mães a fazerem o pré-natal Os índices, entretanto, continuam abaixo do esperado. O único dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas, que o país não deve atingir até 2015 é o de mortalidade materna, que está atualmente em 63 falecimentos para cada 100 mil nascidos vivos. O compromisso é de 35 mortes na mesma proporção.

A meta de mortalidade infantil já foi cumprida, mas ainda está abaixo da registrada em países vizinhos. Segundo dados divulgados pela pasta em abril deste ano com base no Censo 2010, o índice é de 15,6 para cada mil nascidos vivos. No Chile, por exemplo, a razão da mortalidade infantil é de oito para cada mil nascidos vivos. (GC)