Correio braziliense, n. 20273, 22/11/2018. Economia, p. 8
País cria 53 mil vagas formais em outubro
22/11/2018
CONJUNTURA » Abertura de empregos com carteira assinada no mês passado, segundo o Ministério do Trabalho, ficou abaixo do número registrado em setembro. Nos 10 primeiros meses do ano, contudo, saldo de 790 mil contratações é o melhor resultado desde 2015
Após ter criado mais de 144 mil vagas com carteira assinada em setembro, o mercado de trabalho desacelerou em outubro. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, foram abertas, no mês passado, 57.733 postos formais de emprego, 87 mil a menos que no mês anterior. Apesar do recuo, foi o décimo mês seguido de resultado positivo. No acumulado dos 10 primeiros meses deste ano, o número de novas vagas formais chegou a 790 mil, o melhor resultado para o período desde 2015. No ano passado, entre janeiro e outubro, foram criadas pouco mais de 302 mil vagas.
Os dados se referem ao saldo líquido resultante do número de contratações e de demissões. O presidente Michel Temer, que antecipou a divulgação dos números em uma de suas postagens em redes sociais, comemorou: “Isso significa que o Brasil está no rumo certo”, disse. O levantamento mostra também que, em quatro das cinco regiões do país, o saldo de postos de trabalho formais foi positivo. O destaque foi a Região Sul, onde foram criadas 25.999 vagas. O Sudeste, que concentra a maior parte da atividade produtiva, registrou a criação de 15.988 vínculos. Já o Nordeste abriu 13.426 empregos e o Norte, 2.379. Apenas no Centro-Oeste, o mercado formal de trabalho teve desempenho negativo, com queda de 59 postos.
Dificuldades
Segundo o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, os dados de outubro não podem ser analisados de forma isolada. Ele observou que ainda há dificuldades econômicas a serem enfrentadas. “Estamos na fase em que um novo governo começa a definir questões econômicas importantes. Ainda há uma dificuldade muito grande em fazer a economia crescer de forma mais rápida”, explicou.
“Considerando todo o mercado de trabalho, e não apenas o segmento formal, os indicadores de crescimento do emprego são muito fracos. A retomada, em grande parte, ocorre na informalidade, e com o aumento da informalidade há também uma precarização das condições de trabalho”, acrescentou Bentes. Segundo ele, apesar de as comemorações de fim de ano sempre trazerem uma perspectiva positiva, o efeito, neste ano, não deve ir além da sazonalidade do período. “A perspectiva é de que sejam contratados 76 mil novos trabalhadores de fim de ano, mas o nível ainda é muito fraco para representar alguma influência nos dados mensais”, afirmou.
O advogado trabalhista da Corrêa da Veiga Advogados, Maurício Corrêa da Veiga, vê projeções mais otimistas para o próximo ano. “Em 2019, teremos uma nova equipe econômica, e isso trará uma perspectiva de crescimento”, afirmou.
Setores
A maioria dos setores registrou aumento de contratações em outubro. O comércio foi o que mais avançou, criando 34.133 postos de trabalho, seguido pelo setor de serviços que contabilizou 28.759 novas vagas e da indústria, com 7.048. Já os segmentos da construção civil, de extração mineral e de serviços industriais de utilidade pública permaneceram estagnados no mês passado. A construção abriu apenas 560 vagas, enquanto, o setor mineral aumentou em 377 o número de pessoas empregadas e o de serviços industriais fechou o mês com 288 novos trabalhadores contratados.
Os desempenhos negativos ficaram por conta dos segmentos de agropecuária, extrativismo vegetal, caça e pesca, que registrou queda de 13.059 no número de vagas, e administração pública, que fechou 353 postos de trabalho.
* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo