Título: A força da máquina
Autor: Caitano, Adriana
Fonte: Correio Braziliense, 22/07/2012, Política, p. 4

Cerca de 15 dias após o início oficial das campanhas municipais, um cenário nas principais capitais do país se repete: candidatos que tentam a reeleição ou têm o apoio do prefeito atual encabeçam com folga as pesquisas de intenção de voto. O fenômeno, explicam especialistas, é comum no início da disputa e poderá mudar, a depender da propaganda eleitoral, que só começa em 21 de agosto.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) desponta em pesquisas recentes com larga vantagem à frente do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol) e do deputado federal Rodrigo Maia (DEM). Além de tentar a reeleição com um índice de popularidade razoável, Paes tem o apoio do governador Sérgio Cabral (PMDB). "Quando o ambiente é mais favorável economicamente, com renda e emprego em ascensão, há uma tendência de que os eleitores transfiram essa sensação de conforto e estabilidade a quem está na situação", comenta o cientista político e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Valeriano Costa.

O mesmo acontece em Belo Horizonte, onde o prefeito Marcio Lacerda (PSB) tenta se reeleger com o aval do governador Antonio Anastasia e do senador e ex-governador Aécio Neves (PSDB), e em Porto Alegre, na candidatura à reeleição de José Fortunati (PDT). "Desde que foi instituída a reeleição, a tendência de os governantes serem eleitos é grande, eles já largam com vantagem diante dos outros", avalia o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) João Paulo Peixoto. Segundo ele, prefeitos com boa popularidade ainda transferem boa parte dos votos a quem apoiam.

Em São Paulo e em Recife, os candidatos que lideram as pesquisas têm ao lado os atuais comandantes dos cargos que almejam, mas o apoio não é determinante. No caso da capital paulista, José Serra (PSDB) já foi prefeito e governador, além de ter disputado a vaga de presidente da República duas vezes. "Ele tem a própria história e ter o (Gilberto) Kassab (atual prefeito, do PSD) na campanha não faz tanta diferença", argumenta Peixoto. Na capital pernambucana, o senador Humberto Costa (PT) já foi vereador, deputado estadual e federal e ministro da Saúde e seu partido já comanda a cidade há 12 anos. Além disso, ele ganhou destaque ao ser o relator do processo que cassou o mandato de Demóstenes Torres (sem partido-GO) há cerca de 10 dias.

Exceção De acordo com pesquisas recentes, como a do Datafolha, divulgada ontem, foge à regra o caso do deputado federal e candidato à prefeitura de Curitiba Ratinho Júnior (PSC), que tem despontado nas pesquisas, pouco à frente do prefeito Luciano Ducci (PSB). "Lá, quem transferiu votos foi o pai dele, o apresentador do SBT Ratinho, que tem alta popularidade e grande impacto na periferia", destaca o professor da Unicamp. "O fenômeno midiático é visto também com Celso Russomano (PRB), que está encostando em Serra em São Paulo porque tinha um programa de tevê até pouco tempo."

O cientista político, no entanto, ressalta que o cenário nas capitais pode mudar com o decorrer da campanha. "Na fase atual, o eleitor ainda faz uma avaliação fria, decide por quem ele conhece, sem analisar o perfil do candidato a fundo", detalha.

Viana rebate acusação do MP O senador Jorge Viana (PT-AC) publicou nota negando as acusações feitas pelo parecer da vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau. Na sexta, ela recomendou a cassação do parlamentar e do irmão dele, o governador acriano Tião Viana (PT), além do vice Carlos Messias. Para Cureau, os três fizeram uso irregular de meios de comunicação, abusaram dos poderes políticos e econômicos durante o pleito de 2010. Para o senador, as acusações são "absurdas" e ele ressalta que tomara "medida judicial cabível". Na nota, Viana ainda acusa pessoas que agiram "fora da lei" incentivando o forjamento de provas e a falsidade ideológica para incriminá-lo. O parlamentar ainda ressalta que foi absolvido por unanimidade em denúncia idêntica pelo Tribunal Regional do Acre.