Título: Para BC, retomada está mais próxima
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Fonte: Correio Braziliense, 24/07/2012, Economia, p. 12
Mesmo diante da piora da crise na Europa, da possibilidade de a Espanha precisar de um plano de resgate e do ambiente internacional "desafiador", o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, garantiu que são reduzidas as chances de ocorrer um "evento extremo" na economia mundial. Segundo ele, mais importante do que especular sobre a crise, é estar preparado para os desdobramentos que possam ter impacto sobre o Brasil. Apesar das preocupações com o cenário externo, a autoridade monetária reafirmou que, depois que a indústria reduziu o excesso de estoques, no fim do último trimestre, e com a perspectiva de que a inadimplência dos consumidores recue nos próximos meses, a economia brasileira esta próxima de retomar o crescimento.
Em discurso durante o lançamento das novas cédulas de R$ 10 e R$ 20, o presidente do BC disse que os Estados Unidos devem manter um ritmo moderado de expansão e a China vai continuar em desaceleração, porém com plena capacidade de "conduzir um pouso suave de sua economia". "Mas a postergação de uma solução definitiva para a crise na Europa e os riscos associados à desalavancagem de bancos, famílias e governos em importantes economias, manterão o crescimento mundial abaixo da sua tendência de longo prazo", projetou.
O lado positivo da crise, disse, é que ela tem possibilitado uma elevação mais suave dos preços no mercado doméstico. Os analistas, no entanto, não concordam com a visão otimista de Tombin. O Boletim Focus, levantamento semanal feito entre instituições do mercado financeiro mostra que as estimativas para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) se mantêm em 1,90%, bem abaixo da projeção de 2,5% do próprio BC; no caso da produção industrial, existe uma descrença na capacidade do setor de se recuperar da recessão: pela primeira vez em 2012, o mercado projeta uma retração para o segmento, de 0,04%.
A prévia da inflação oficial de julho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgado na semana passada, também assustou o mercado, ao ficar bem acima das expectativas e alcançar 0,33%. Com isso, os analistas começaram a rever as previsões para o ano todo: a estimativa subiu de 4,87%, na semana passada, para 4,92%. O presidente do BC, porém, garante que a inflação deve convergir para o centro da meta, de 4,5%.
"A redução da inflação tem sido disseminada. A variação em 12 meses tem caído nos segmentos de preços livres, administrados ou monitorados, inclusive no setor de serviços, onde havia maior resistência", argumentou. Antes do evento, em entrevista a agências internacionais, Tombini admitiu uma reversão monmetânea da queda. "A convergência vai acontecer. O processo começou em setembro, mas não é linear. Pode haver uma reversão temporária", disse.