Título: Ameaça chega à Alemanha
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Fonte: Correio Braziliense, 24/07/2012, Economia, p. 13
A agência de classificação de risco Moody"s anunciou ontem à noite que alterou para negativas as perspectivas das economias da Alemanha, da Holanda e de Luxemburgo, detentoras da avaliação máxima "AAA" no ranking de dívidas soberanas — o que abre a possibilidade de rebaixamento das notas desses países. Justificada pelo "aumento da incerteza sobre a Zona do Euro", a decisão lança mais uma sombra de apreensão sobre os mercados, que ontem já viveram um dia de forte nervosismo por causa dos temores de que a Espanha pode precisar de um plano de resgate bilionário para escapar da insolvência e de que a Grécia, onde as esperanças de recuperação parecem cada vez mais remotas, tenha que deixar a união monetária.
Tão logo os comentários da agência foram divulgados, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, procurou tranquilizar os investidores, afirmando que o país, a maior economia da Europa e a quarta do mundo, continuará sendo referência de estabilidade na Zona do Euro. Como os mercados já estavam fechados, somente hoje se saberá como a posição da Moody"s vai afetar os negócios, que já estavam bastante enfraquecidos, ontem, pelos rumores de que a Espanha poderá precisar de um programa de socorro de 400 bilhões a 500 bilhões de euros para escapar da insolvência, além dos 100 bilhões já aprovados para o resgate dos bancos do país. Se isso ocorrer, a Itália seguiria o mesmo caminho.
A onda de tensão fez a Bolsa de Madri cair mais de 5% durante o pregão. No fim do dia, porém, a queda ficou limitada a 1,1%. As maiores perdas foram registradas nas praças de Londres (-2,09%), Frankfurt (-3,18%), Paris (-2,89%), Milão (-2,75%) e Lisboa (-3,41%). No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo recuou 2,14%, caindo ao menor patamar desde 28 de junho. Nos Estados Unidos, o Índice Dow Jones terminou o dia em baixa de 0,79% e o termômetro Nasdaq, das empresas de tecnologia, teve desvalorização de 1,2%.
"A aversão ao risco voltou com força e os investidores estão cautelosos", disse Luís Gustavo Pereira, da Futura Corretora. A fuga para ativos mais seguros também se refletiu no mercado de câmbio. No Brasil, o dólar subiu 0,9% e terminou o dia cotado a R$ 2,042. No exterior, o euro recuou para o menor nível em dois anos frente à divisa norte-americana, fechando a US$ 1,2139, e atingiu a cotação mais baixa (94,22 ienes) diante da moeda japonesa, desde o fim de 2000.