Título: Busca desesperada de ajuda financeira
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Fonte: Correio Braziliense, 26/07/2012, Economia, p. 13

Paris — Pressionado pelos investidores, que pedem juros cada vez mais altos para refinanciar a dívida do país, e pelas manifestações populares contra as medidas de austeridade exigidas pelos credores, o governo espanhol está procurando todos os meios de obter ajuda dos seus sócios europeus, sem, entretanto, ter que se submeter a um plano completo de resgate, como os de Portugal, da Irlanda e da Grécia. Ontem, o ministro de Economia, Luis de Guindos, recebeu o respaldo de seu equivalente francês, Pierre Moscovici, com quem se encontrou para discutir a crise da Espanha e da Zona do Euro.

"Consideramos que o nível atual das taxas de juros, que prevalecem no mercado da dívida soberana, não reflete os fundamentos da economia espanhola, seu potencial de crescimento e sua capacidade para reembolsar suas dívidas públicas", diz um comunicado distribuído depois da reunião entre ambos. No dia anterior, De Guindos havia estado em Berlim, onde obteve uma declaração semelhante do ministro alemão da Economia, Wolfgang Schäuble.

O objetivo real da Espanha nesses contatos é acelerar a implementação das medidas acertadas pelos países europeus em uma reunião de cúpula, no fim de junho, entre elas a permissão para que o fundo de resgate europeu possa adquirir títulos dos países em dificuldades, e a implantação de uma supervisão comum do sistema bancário da Zona do Euro. Guindos corre contra o tempo. Ontem, em mais um sinal de que os investidores podem abandonar o país à própria sorte, as taxas de juros dos títulos espanhóis de 10 anos chegaram a superar o patamar de 7,7%, para depois recuarem para 7,4%.

Debilidade Com o clima conturbado, os mercados mantiveram a tendência geral de debilidade, embora algumas bolsas tenham conseguido fechar com resultado positivo. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi uma das que não resistiram ao cenário negativo e recuou 0,06%, marcando o quarto pregão seguido de desvalorização. O dólar fechou em baixa de 0,34%, cotado a R$ 2,0368 na venda.

O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações europeias, terminou o dia com perda de 0,11% — também a quarta sessão consecutiva no vermelho — influenciado ainda pela forte queda das vendas de residências nos Estados Unidos. A Bolsa de Londres caiu 0,02%, mas em Frankfurt houve alta de 0,25%. Também tiveram ganhos as praças de Paris (0,23%) e de Milão (1,17%). A Bolsa de Madri, epicentro da crise, conseguiu subir 0,82%. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones registrou alta de 0,47%, mas o Nasdaq, indicador das empresas de tecnologia, recuou 0,31%, bastante influenciado pelos maus resultados da Apple no segundo trimestre.

» Bancos ameaçados

Depois da colocar a economia da Alemanha em perspectiva negativa, primeiro passo para um futuro rebaixamento da nota AAA mantida pelo país, na última segunda-feira, a agência de classificação de risco Moody"s fez o mesmo, ontem, com 17 bancos alemães. A decisão atingiu bancos regionais apoiados pelo Estado, mas também instituições como o Deutsche Industriebank e o Deutsche Postbank. A nota poderá ser reduzida se a qualidade do crédito do governo central ou dos governos regionais piorar.