O globo, n. 31194, 02/01/2019. País, p. 7

 

No Congresso, um pedido de apoio à sua agenda

02/01/2019

 

 

Presidente faz apelo por ajuda para combater ‘a corrupção, a irresponsabilidade econômica e a submissão ideológica’. Bolsonaro diz que pretende ‘partilhar o poder de Brasília para o Brasil’, em referência a estados e municípios

Na cerimônia de posse no Congresso Nacional, Jair Bolsonaro discursou em defesa de uma sociedade sem discriminação, sem “amarras ideológicas” e com respeito às religiões. Ele pediu aos parlamentares ajuda no combate à corrupção, à irresponsabilidade econômica e à submissão ideológica. Bolsonaro se comprometeu com a proteção da democracia brasileira e com a construção de uma sociedade mais justa. Para isso, ele conclamou que seja selado um pacto entre a sociedade e os Três Poderes.

— Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão —disse, em um discurso com dez minutos de duração.

Diante dos parlamentares, Bolsonaro não mencionou a reforma da Previdência, uma das discussões mais aguardadas no Congresso. Não especificou quais projetos serão prioritários. E afirmou que pretende “partilhar o poder de forma progressiva, responsável e consciente, de Brasília para o Brasil, do poder central para estados e municípios”.

— Convoco cada um dos congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e de reerguer nossa pátria, libertando – a definitivamente do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica — disse, concluindo mais tarde: —A irresponsabilidade nos conduziu à maior crise ética, moral e econômica da nossa história.

"Me casando com vocês"

Bolsonaro lembrou dos 28 anos que foi deputado federal. Ele disse que, no Congresso, travou “grandes embates” e também acumulou experiências que colaboraram com seu amadurecimento. Quando assinava o termo se posse, alguém na plateia perguntou se era um casamento. Bolsonaro respondeu:

— Estou me casando com vocês (parlamentares) — disse, diante de uma plateia sem parlamentares de PT e Psol, que decidiram não participar da cerimônia.

O presidente voltou a defender o fim da “ideologia de gênero” nas escolas. Segundo ele, a educação deve ter como meta preparar o aluno para o mercado de trabalho, e não para a militância.

—Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã. Combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre das amarras ideológicas — disse.

Ele afirmou que sua equipe foi elaborada de forma técnica, “sem o tradicional viés politico que tornou o Estado ineficiente e corrupto”. Na economia, ele prometeu que o governo não gastará mais do que arrecada e que os contratos e as propriedades serão respeitados. E que, no setor agropecuário, haverá “menos regulamentação e burocracia”, com a preservação do meio ambiente garantida. Mas não detalhou como isso será feito.

— Realizaremos reformas estruturantes que serão essenciais para a saúde financeira e a sustentabilidade das contas públicas, transformando o cenário econômico e abrindo novas oportunidades. Precisamos criar um ciclo virtuoso para a economia, que traga a confiança necessária para permitir abrir nossos mercados para o comércio internacional, sem o viés ideológico.

O presidente disse que seu governo vai priorizar a educação básica, a infraestrutura, o saneamento e o respeito aos direitos e garantias fundamentais. Ele acrescentou que o “cidadão de bem” merece ter ao seu alcance meios para se defender, sem citar diretamente a ampliação do porte de arma, uma proposta que ele defende.