Título: Recém-criado, PEN sonha alto
Autor: Mascarenhas, Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 18/07/2012, Política, p. A9

Legenda que tem como bandeira o meio ambiente quer Marina Silva e Romário entre as estrelas. Presidente da sigla estima que bancada de deputados pode chegar a 20

Marina Silva para presidente da República, amparada por uma bancada de até 20 deputados federais encabeçada por nomes como Romário (RJ) e Fernando Francischini (PR) em um partido que ainda avalia se integra um bloco da oposição ou da base aliada. Esse é o sonho de Adilson Barroso, presidente nacional do recém-criado Partido Ecológico Nacional (PEN), fundado oficialmente em 19 de junho. Hoje, a legenda promete anunciar o resultado das negociações abertas com parlamentares de diferentes esferas do Legislativo e estados.

Ex-deputado estadual por São Paulo, antigo filiado de DEM, PTB e Prona, Adilson Barroso acusa o sotaque do interior de Minas Gerais, onde nasceu, quando pronuncia a palavra que dá o norte ideológico da legenda: "Sustentabilidade". "Estamos voltados para a sustentabilidade em todos os setores. Sustentabilidade na indústria, na cultura e, muito importante, a sustentabilidade da cidade. Todo mundo só fala do campo, mas na cidade é muito importante", explica, repetindo sempre que pode o termo da moda.

Até o momento, entre os nomes desejados por Adilson, ele confirma que o deputado federal e ex-delegado da Polícia Federal Francisco Fracnischini, hoje no PSDB, já anunciou a migração para o partido ecológico. Romário, segundo Adilson, foi procurado e também estuda deixar o PSB para se filiar ao PEN. Os cálculos do presidente nacional da legenda neófita indicam que, a partir de hoje, a sigla terá a maior bancada nas assembleias do Acre e da Paraíba, além da segunda mais expressiva na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

"Na quinta-feira, passado um mês da data de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vence o prazo para informarmos nossa bancada. A expectativa é anunciar entre 10 e 20 deputados federais, já que esse foi o número de parlamentares que ajudaram a fundar o partido. Mas, sabe como é, o cara hoje está, amanhã não está mais. Sofrem muita pressão dos partidos em que estão filiados", explicou Adilson.

O presidente faz mistério, mas diz que já foi procurado por representantes de outras legendas para integrar blocos na Câmara dos Deputados. "Ainda não decidimos se seremos da oposição ou se vamos fazer parte do governo. A bancada que está vindo aí vai dizer se concorda com o governo que está lá", resumiu o presidente do PEN, que ainda não pode inscrever candidatos nas eleições municipais deste ano.

Semelhanças Embora tenha sido fundado há um mês, o pequeno PEN já escolheu seu candidato a presidente em 2014: Marina Silva. Só falta combinar com a própria, como admite o mandatário. "Vou convidá-la, que é meu direito. Ela tem o direito de aceitar ou não", concluiu, admitindo a pouca diferença entre o PEN e o Partido Verde (PV), antiga agremiação de Marina. "Olha, diferenças mesmo eu não vejo, não. Mas também não vejo entre PDT, PT, PTB... é tudo muito parecido." Procurada pelo Correio, Marina Silva não havia retornado ao contato da reportagem até o fechamento desta edição.

Adilson mostra a força de candidato em palanque quando provocado a responder a quem o acusa de ter fundado uma sigla de aluguel, para lucrar com o tempo de televisão, vendendo o espaço a legendas maiores. "Fico indignado com isso. Eu digo o seguinte: partido de aluguel é aquele que só vota com governo quando recebe cargos. Ou aqueles que ontem eram contra o PT e agora são aliados, porque o PT está no governo. Partido de aluguel, para mim, são esses grandes que estão aí."

"A expectativa é anunciar entre 10 e 20 deputados federais, já que esse foi o número de parlamentares que ajudaram a fundar o partido" Adilson Barroso, presidente do PEN

Campeã no DF No primeiro turno da disputa presidencial de 2010, Marina foi a preferida do eleitorado do Distrito Federal, onde ela obteve 41,96% dos votos válidos. A então candidata do PT, Dilma Rousseff, ficou com 31,74%, e José Serra (PSDB), 24,30%. Em julho de 2011, após dois anos no Partido Verde, Marina deixou a sigla e, até hoje, não se filiou a outro partido.