Título: Defesa da continuidade
Autor: Karla , Correia
Fonte: Correio Braziliense, 08/08/2012, Política, p. 4
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, rompeu ontem a lei do silêncio que impera no Palácio do Planalto sobre o mensalão ao afirmar que quem apostar no desgaste político do governo diante do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) vai "se decepcionar".
Carvalho defendeu a continuidade do que chamou de "projeto político" do PT à frente do governo federal. "Aqueles que, em 2005, apostaram que aquele processo das CPIs iria provocar uma desconstrução do governo Lula viram o resultado, porque quando baixou a espuma do debate político, ficou a realidade dos fatos que era um país que estava mudando, crescendo, distribuindo renda e fazendo um processo apoiado pela grande maioria da população já em 2006, e depois em 2010", disse o ministro, comparando os momentos da explosão do escândalo e de seu julgamento, e citando a reeleição de Lula e a eleição de Dilma Rousseff como provas de que o partido sobreviveu ao estigma do mensalão.
Ao sair de solenidade para o lançamento de campanha relacionada à Lei Maria da Penha, Carvalho confirmou a orientação dada pela presidente para que os ministros mantenham o ritmo normal do governo durante o julgamento da ação penal 470. "A ordem é que ninguém perca um minuto do seu trabalho vendo ou acompanhando o processo. Que se informe naturalmente nas horas vagas, mas que siga trabalhando com o maior rigor", afirmou o ministro.
De acordo com Carvalho, a preocupação do governo, no momento, se concentra em enfrentar a crise econômica mundial e manter as políticas de distribuição de renda. Ainda em sua avaliação, dificilmente o julgamento terá efeitos sobre as eleições municipais. "Se decepcionarão muito aqueles que apostam em tirar um proveito e que parcializam os julgamentos e as opiniões, pensando que isso poderá causar um grande prejuízo inclusive eleitoral", disse o ministro.
Estratégia Desde o início do julgamento no Supremo, na semana passada, o Planalto silenciou sobre o caso e os ministros se esquivam de falar publicamente em relação ao andamento do processo, em uma estratégia traçada em conjunto com o PT, que se posicionou oficialmente com um vídeo gravado pelo presidente da legenda, Rui Falcão.