Título: Para Franco, bloco vê o Paraguai como criança
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 30/07/2012, Mundo, p. 13

A dois dias da reunião que formalizará o ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul, o presidente paraguaio, Federico Franco, que assumiu após a destituição de Fernando Lugo por julgamento político, atacou a suspensão do país do bloco comercial. Em entrevista ao jornal argentino La Nación. Franco sugeriu que a decisão foi tomada exclusivamente para beneficiar o país de Hugo Chávez. "O problema do Mercosul não é o Paraguai, o problema é a Venezuela. Temos 7% do PIB da Venezuela. Então, nos veem como crianças. Mas somos crianças orgulhosas de nossa soberania", afirmou Franco.

A entrada da Venezuela ficou estabelecida na última cúpula presidencial do Mercosul, realizada no mês passado na província argentina de Mendoza. Na ocasião, Brasil, Argentina e Uruguai decidiram suspender o Paraguai do bloco até as eleições de abril de 2013, por considerarem que Lugo não teve direito à defesa no julgamento político que o destituiu em 22 de junho.

Ao La Nación, Federico Franco defendeu o processo político ao qual Lugo foi submetido, contestado pelos países do Mercosul, sobretudo pela celeridade: foram menos de 48 horas entre a abertura do processo e a votação que culminou na destituição do então presidente. "Espero que logo entendam que essa é uma decisão soberana feita conforme a lei", disse o presidente paraguaio. Ele assinalou que o país "não aceita orientações estrangeiras".

Desde 2006, o Senado paraguaio se negava a ratificar a entrada da Venezuela no bloco. "A situação está complicada (com o Mercosul). Gostaria que as relações com Argentina e Brasil, que sempre foram respeitosas e harmônicas, tivessem permanecido dessa forma", disse Franco.