Correio braziliense, n. 20350, 07/02/2019. Política, p. 4

 

Senado elege integrantes da Mesa

Paulo Solva Pinto e Bernardo Bittar 

07/02/2019

 

 

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, foi eleito ontem terceiro secretário do Senado Federal. Todos os cargos da Mesa Diretora foram escolhidos em uma sessão de uma hora e meia que, em sua tranquilidade e rapidez, em nada lembrou a maratona iniciada na tarde de sexta-feira e concluída sábado, no fim do dia, para a escolha do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) como presidente da Casa.

Renan Calheiros (MDB-AL), derrotado por Alcolumbre, não participou. Compareceram 77 dos 81 senadores. Votaram a favor da chapa única 72 parlamentares. Houve três abstenções. Dois senadores não votaram. Alcolumbre iniciou a sessão andando pelo plenário e cumprimentando correligionários.

De acordo com a chapa apresentada após consenso entre os líderes, a primeira Vice-Presidência é de Antonio Anastasia (PSDB-MG). A segunda, de Lasier Martins (Pode-RS), que assinou filiação no partido ontem de manhã, deixando o PSD. A primeira Secretaria tem Sérgio Petecão (PSD-AC). A segunda, Eduardo Gomes (MDB-TO). Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, ficará na terceira. O quarto secretário é Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos principais articuladores da eleição de Alcolumbre, apresentou uma questão de ordem contra a escolha de Flávio Bolsonaro, com o argumento de que ele é filho do presidente e não pode ocupar um cargo com essa importância no Parlamento. “Não é um veto legal. É do bom senso”, explicou. Em resposta, o parlamentar do PSL disse que a lei o impede de disputar cargos para o Executivo, mas não no Legislativo. A questão acabou ignorada pelo plenário.

Fabrício Queiroz, um ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, é investigado pelo Ministério Público por transações financeiras suspeitas. Randolfe não mencionou a investigação.

As quatro suplências da mesa são, nesta ordem, de Marcos do Val (PPS-ES); Weverton (PDT-MA); Jacques Wagner (PT-BA); e Leila Barros, a Leila do Vôlei (PSB-DF). Embora o cargo seja o menos significativo, o senador Jorge Kajuru (PRP-GO) lembrou que era ocupado dias atrás por Alcolumbre, que dessa posição articulou a eleição para presidente. “Leila pode ser a nova presidente do Senado”, comparou.

A definição do comando das comissões do Senado ficou para a próxima terça-feira. Mas já está em negociação. A mais importante é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deverá ser entregue a Simone Tebet (MDB-MS). Ela perdeu a indicação do partido para ser candidata a presidente para Renan Calheiros (MDB-AL), ex-presidente da Casa. Acabou se apresentando como candidata avulsa no sábado, mas retirou a postulação, a pedido do grupo de Alcolumbre. O PT apoiou Renan na disputa.

Na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deverá ficar Omar Aziz (PSD-AM). Na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), Romário (Pode-RJ). A Comissão de Relações Exteriores (CRE), essencial para a aprovação dos embaixadores do Brasil no exterior, deverá ficar com o PR, mas o nome ainda não foi decidido.

 

PT reclama

O líder do PT, Humberto Costa (PE), criticou o fato de o partido ter ficado apenas com uma suplência na Mesa. “Sempre respeitamos a proporcionalidade das bancadas, pois é o que reflete a decisão dos eleitores. Por esse critério, teríamos a Quarta Secretaria”, comentou. O PSL, com quatro senadores, ficou com a Terceira Secretaria. O PP tem seis e ficou com a Quarta. Ainda segundo Costa, o tamanho da bancada deveria levar o PT a ficar com a Comissão de Relações Exteriores. Mas, segundo ele, o partido ficará com a de Direitos Humanos.