O globo, n. 31230, 07/02/2019. País, p. 7
PGR encaminha ao Rio inquérito sobre bens de Flávio Bolsonaro
Daniel Gullino
07/02/2019
Raquel Dodge diz que investigação de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral não tem relação com o mandato
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, devolveu para a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio o inquérito em que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) é investigado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. O caso envolve “negociações relâmpago de imóveis” que teriam resultado no “aumento exponencial” do patrimônio do senador.
A investigação, que corria em sigilo no Rio desde março do ano passado, foi enviada para a Procuradoria-Geral da República (PGR) após Flávio ter sido eleito ao Senado. Entretanto, Dodge ressaltou que, de acordo com o novo entendimento do foro privilegiado, estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), só devem permanecer na Corte investigações de parlamentares sobre fatos ocorridos durante o atual mandato e relacionados à função. Os supostos crimes teriam ocorrido quando Flávio era deputado estadual.
Além de apurar as transações imobiliárias, o inquérito investiga a suposta declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de um imóvel por um valor abaixo do preço real. Flávio nega as acusações:
— É uma denúncia totalmente infundada, de um advogado ligado ao PT . Meu patrimônio é compatível.
Em outra investigação envolvendo Flávio, o promotor Luís Otávio Figueira Lopes, do Ministério Público do Estado do Rio, foi designado ontem para ficar à frente do caso das movimentações financeiras reveladas pelo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O ex-assessor Fabrício Queiroz também é investigado neste procedimento. A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do GLOBO.
Figueira Lopes assumiu a investigação depois que o promotor Cláudio Calo declarou-se suspeito, por já ter se pronunciado sobre o caso Queiroz em uma rede social. No ofício em que comunicou que estava abrindo mão da apuração, Calo revelou ainda que participou de uma reunião com Flávio Bolsonaro em novembro do ano passado. No encontro, segundo o promotor, foram discutidas propostas para a segurança pública.
Com a desistência de Calo, uma questão técnica levou o procedimento para Luís Otávio Figueira Lopes. Ele está à frente da 25ª Promotoria de Investigação Penal, e uma resolução do MP-RJ determina que, em casos de suspeição do promotor natural, quem assume é o responsável pela promotoria de número imediatamente à frente — Calo, que abriu mão da investigação, é o titular da 24ª Promotoria de Investigação Penal.
Ontem, Flávio foi eleito para integrar a Mesa do Senado, na 3ª Secretaria. Ele será responsável por administrar os imóveis funcionais.