Título: O desdém de Marco Maia
Autor: Campos , Ana Maria
Fonte: Correio Braziliense, 03/08/2012, Política, p. 2/3
A Câmara dos Deputados foi contaminada pelo clima tenso do julgamento do mensalão. Enquanto oposicionistas assistiam juntos à transmissão, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), repetia o desdém do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disparado na direção de quem dedicava tempo para acompanhar os votos dos ministros. "Na fase em que está, é para jornalista assistir ou para aqueles que não têm absolutamente mais nada para fazer. Não tive nem tempo de acompanhar o julgamento e quero continuar assim", desdenhou Maia.
A oposição criticou o atraso no julgamento, provocado pelo pedido da defesa em desmembrar o processo e que resultou no adiamento do parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de ontem para hoje. "Melhor mudar o apelido da Ação Penal 470 (mensalão) para mensalões, no plural. Nesse ritmo, só acaba em seis meses, em 2013!", publicou no Twitter o líder do PSol, deputado Chico Alencar (RJ), em sua página pessoal.
Em uma sala com as luzes apagadas, em tom descontraído, cerca de uma dezena de oposicionistas comentava o julgamento como quem acompanha uma partida de futebol: "É muito estranho o ministro Lewandowski estar com o voto pronto sobre uma questão de ordem apresentada em cima da hora", palpitou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-PR).
No Senado, a oposição tratou o atraso como natural. "Não vai trazer prejuízo nenhum. Imagino que, no cronograma do STF, já estava incluso isso (o atraso)", afirmou Aloyzio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
Censura O PPS reclamou de "censura" na Câmara porque, segundo o deputado Roberto Freire (SP), presidente da sigla, o jornal impresso da Casa sequer citou o julgamento do mensalão na edição de quinta-feira. Marco Maia rebateu a acusação alegando que não queria ver o mensalão ser alvo de defesas ou acusações politizadas no Legislativo.
Marco Maia negou ter influência sobre os veículos de comunicação do parlamento e contra-atacou com ironia: "Deputados que se orientam por afirmações na imprensa não têm credibilidade com os pares."