Título: Mesmo doente, Jefferson on-line
Autor: Campos , Ana Maria
Fonte: Correio Braziliense, 03/08/2012, Política, p. 2/3
Um dia depois de ter diagnosticado um câncer maligno em fase inicial no pâncreas, um dos principais réus do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), mostrou em sua conta no Twitter que está realmente com as atenções voltadas para o julgamento iniciado ontem no Supremo Tribunal Federal. "Será a oportunidade do STF (Supremo Tribunal Federal) mostrar que tem liberdade, independência, e principalmente, coragem", afirmou, no microblog.
Jefferson, que havia levado "um pito" dos médicos por causa da ansiedade em relação ao julgamento, foi liberado pela equipe do Hospital Samaritano, no Rio, para acompanhar o julgamento. "O pós-operatório dele está sendo muito bom. Hoje (ontem), ele fez uma tomografia e está tudo bem. Ele está bem-humorado, otimista. Por isso, o autorizamos a acompanhar a situação dele no julgamento do mensalão", disse o cirurgião José de Ribamar Saboia de Azevedo, um dos responsáveis pela operação no presidente nacional do PTB. O médico contou ainda que o ex-deputado sorriu ao assistir uma reportagem sobre o mensalão na última terça-feira. "Ele já está andando nos corredores e se alimenta pela boca. Semana que vem, ele pode ir a Brasília se quiser", disse Ribamar. Jefferson deve ter alta no domingo e começará a fazer o tratamento quimioterápico entre quatro e seis semanas após a cirurgia, realizada no sábado 28, já que as sessões só poderão acontecer após a cicatrização dos tecidos afetados com o procedimento de retirada do tumor.
De acordo com o oncologista Daniel Tabak, o tratamento deverá provocar poucos efeitos colaterais em Jefferson. "Vamos utilizar uma droga quimioterápica, mas não haverá queda de cabelo nem qualquer limitação física porque ela é a menos tóxica possível. Não vai impedir suas atividades", destacou Tabak, que informou também que o tratamento não causa náuseas.
Segundo o médico, Jefferson não terá qualquer proibição nem de realizar viagens, entretanto, os médicos não aconselham movimentações durante o tratamento e a recuperação. Azevedo lembrou que o petebista fez uma cirurgia para redução do estômago há 12 anos, mas não afetaria nada. O único risco é a diabetes. Mas Jefferson está, de fato, antenado com o que acontece no plenário da principal Corte do país. "Será um mês longo, de exaltação ou velório da democracia", afirmou ele, no Twitter.