Título: BCE derruba as bolsas
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 03/08/2012, Economia, p. 15
Frankfurt — Depois de ter provocado uma onda de otimismo, na semana passada, quando prometeu fazer o que fosse preciso para evitar o colapso da Zona do Euro, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, despejou ontem um balde de água fria nos mercados. Após a reunião mensal da instituição, Draghi decepcionou os investidores ao condicionar uma intervenção para frear a alta dos juros que vêm sendo cobrados de Espanha e Itália a um pedido de ajuda desses países. Além disso, disse que só agirá depois que os governos da região ativarem os fundos de resgate criados para socorrer economias em dificuldades. O resultado foi previsível: os preços das ações desabaram e os juros dos papéis espanhóis e italianos tiveram forte alta.
A falta de uma iniciativa, por menor que fosse, levou as bolsas de Madri e de Milão a terminarem o dia com perdas elevadas, de 5,16% e 4,64%, respectivamente. O clima de desapontamento se refletiu ainda nos pregões de Londres, que caiu 0,88%, de Paris, que recuou 2,68% e de Frankfurt, que teve desvalorização de 2,20%. O principal indicador das ações europeias, o FTSEurofirst 300, fechou em queda de 1,05%. O índice do setor bancário da Zona do Euro, exposto ao desempenho de países altamente endividados da região, foi o que registrou maiores perdas, caindo 6,37%, com os papéis do espanhol Santander caindo 6,7%.
Decepção Submetido a intensa pressão de todos os lados, Draghi conseguiu apenas comunicar a decisão do BCE de manter em 0,75% ao ano a taxa básica de juros da Zona do Euro. Mas não anunciou decisões como a volta das compras de títulos públicos no mercado secundário, muito menos a possibilidade, que os estatutos do BCE proíbem, de adquirir esses títulos diretamente dos governos, como os investidores esperavam. Em entrevista, Draghi não escondeu que essas decisões enfrentam oposição do governo da Alemanha. "A política monetária não pode tudo, e menos ainda compensar a falta de ação dos políticos", justificou, numa atitude que não o livrou de críticas. "Foi bastante decepcionante. Existe uma falta de ação, então ele basicamente passou a responsabilidade aos políticos", disse o estrategista do Knight Capital Ioan Smith.
A falta de ação do BCE repercutiu negativamente em todo o mundo. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em baixa de 1,37% e o dólar subiu 0,29%, cotado a R$ 2,05 para venda. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, principal referência da Bolsa de Nova York, teve desvalorização de 0,71%. O Nasdaq, termômetro das empresas de tecnologia, recuou 0,36%.