Título: Gabinete é empossado
Autor: Craveiro , Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 03/08/2012, Mundo, p. 18

O novo gabinete ministerial do presidente do Egito, Mohamed Morsy, tomou posse ontem, no Cairo, em meio a graves preocupações com a segurança. De acordo com o site Ahram Online, da capital egípcia, dezenas de civis lançaram coquetéis Molotov contra carros estacionados diante do Nile City Towers, um complexo comercial pertencente ao milionário Naguib Sawires. As forças de segurança intervieram e responderam com bombas de gás lacrimogêneo e munição real, matando ao menos uma pessoa. O protesto teria ocorrido em retaliação à morte de outro homem, executado pela polícia no local.

A formação do governo de Morsy decepcionou vários egípcios. O Partido Justiça e Liberdade, da Irmandade Muçulmana, obteve quatro assentos no gabinete, incluindo as pastas da Educação e da Informação. O Conselho Supremo das Forças Armadas (CSAF) comemorou a manutenção de sete ministros apontados pelos militares — entre eles, Mumtaz Al-Said (Finanças) e Mohammed Kamel Amr (Relações Exteriores). O marechal de campo Hussein Tantawi, chefe do CSAF, também foi preservado no cargo de ministro da Defesa.

"Os ministérios mais importantes foram tomados por representantes do antigo regime (de Hosni Mubarak) ou por pessoas ineficientes. O primeiro-ministro (Hesham Qandil) não tem qualquer experiência real, a não ser a de ter sido ministro dos Recursos Hídricos por alguns meses", afirmou ao Correio a jornalista Aliaa Hamed, 28 anos, moradora do Cairo. "O mais bizarro é que o ministro do Interior, Habid El Adly, foi criticado pelo parlamento, que era dominado pela Irmandade Muçulmana. Os deputados até pediram sua demissão", acrescentou. Qandil frisou que o novo gabinete foi escolhido com base na experiência dos políticos. "Nós deveríamos parar de usar termos como "eles e nós", e "este aqui é um cristão, ou um copta ou um muçulmano". Tudo o que vejo são egípcios e cidadãos", concluiu. (RC)

Mudança à vista "Sem Kofi Annan como enviado especial, a Organização das Nações Unidas precisará fazer uma mudança e tomar ações fora do Conselho de Segurança. Isso inclui a criação de uma área de segurança na fronteira entre a Turquia e a Síria, além da implementação de uma zona de exclusão aérea, ainda que seja necessário anular a defesa antiaérea de Bashar Al-Assad."

Radwan Ziadeh, cofundador do Centro Damasco para Estudos dos Direitos Humanos e especialista em Oriente Médio da Universidade de Georgetown