Título: Tumor de Jefferson é maligno
Autor: Lyra , Paulo Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 02/08/2012, Política, p. 3
O tumor retirado do pâncreas do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), um dos principais réus do mensalão, é maligno. O resultado da biópsia foi divulgado ontem pela equipe que operou o presidente nacional do PTB no último sábado no hospital Samaritano, Zona Sul do Rio. O tumor tem menos de dois centímetros e está em estágio inicial. Jefferson vai se submeter a um tratamento quimioterápico com boas chances de cura.
O diagnóstico veio na véspera do início do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, caso denunciado por Roberto Jefferson em 2005 e do qual ele é um dos 38 réus. O próprio petebista, que tem 59 anos, apontou o escândalo como um dos responsáveis pela doença. "Isso é pressão. Foi um para-choque meu. Tensão, pressão, sofrimento. Tem um lugar em que explode. Eu somatizei", disse ele, na véspera da internação para a cirurgia, na quinta-feira passada.
A cirurgia à qual Jefferson se submeteu foi delicada. Os médicos retiraram parte do estômago, pâncreas, duodeno e canal biliar. Segundo o boletim divulgado ontem, eles "removeram os linfonodos regionais (glânglios linfáticos) e desfizeram a cirurgia bariátrica prévia (redução de estômago)" realizada pelo ex-deputado 12 anos atrás.
O pós-operatório, pelo menos por enquanto, transcorre como o esperado pela equipe médica. Jefferson, inclusive, levou um "pito" dos profissionais do Hospital Samaritano, como adiantou o Correio. Tão logo recuperou-se da anestesia, ele começou a buscar informações, nos jornais e com as pessoas mais próximas, sobre o julgamento que começa amanhã. A ordem foi expressa: Jefferson deveria parar de falar e acalmar-se.
O resultado da biópsia mudou os planos de alta do presidente petebista. A expectativa era de que ele deixasse o Centro de Terapia Intensiva (CTI) ainda esta semana; e o hospital, dentro de um prazo de 10 a 15 dias. O boletim médico de ontem afirmou que não há previsão para que Jefferson deixe o Samaritano. Ele ainda estará hospitalizado quando seu advogado, Luiz Francisco Corrêa, defender a existência do mensalão perante os 11 ministros do STF.