Título: Fed tenta evitar a recessão nos EUA
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Fonte: Correio Braziliense, 02/08/2012, Economia, p. 17

Washington — Diante dos persistentes sinais de fraqueza da economia, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) decidiu manter a taxa básica de juros norte-americana entre zero e 0,25% ao ano. A instituição constatou que a atividade perdeu fôlego no primeiro semestre e, por isso, reiterou que os juros deverão se manter excepcionalmente baixos até o fim de 2014. Ao contrário do que parte dos analistas esperava, o Fed não anunciou novas medidas de estímulo monetário, embora tenha indicado, em nota distribuída ao fim de uma reunião de dois dias, que poderá, nos próximos meses, promover uma nova rodada de compra de títulos privados para injetar dinheiro no mercado e apoiar a recuperação dos negócios.

Por enquanto, a instituição comandada por Ben Bernanke vai continuar monitorando os dados para avaliar a intensidade da desaceleração econômica e a necessidade e o momento de intervir. No segundo trimestre, a maior economia do planeta havia reduzido a taxa anual de expansão para apenas 1,5%. Em julho, o setor industrial cresceu no ritmo mais lento em quase três anos, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), calculado pelo Instituto Markit. O indicador, que não é oficial, caiu para 51,4, ante 52,5 no mês anterior, o resultado mais baixo desde setembro de 2009. Números acima de 50 indicam expansão da atividade.

Segundo o economista-chefe do Markit, Chris Williamson, a indústria poderá registrar contração no terceiro trimestre, se a queda das exportações e a demanda doméstica mais fraca persistirem. "As empresas estão sendo afetadas pela contínua crise da Zona do Euro, pelo crescimento econômico global mais lento e pela crescente inquietação sobre a demanda no mercado doméstico conforme as eleições se aproximam e pesam as incertezas sobre as políticas monetária e fiscal", afirmou.

Lentidão O mercado de trabalho tampouco deu sinais de melhora mais firme. As companhias norte-americanas contrataram, no mês passado, 163 mil trabalhadores, número maior do que o previsto, mas menor do que os 172 mil de junho, de acordo com relatório elaborado pela ADP, uma processadora de folhas de pagamento.

"Os Estados Unidos continuam a ter um crescimento consistentemente positivo do emprego no setor privado, mas com uma dolorosa e lenta taxa", disse o vice-presidente e gerente de portfólio da Eaton Vance Management, em Boston, Eric Stein.

» Pressão sobre os europeus

Na véspera de uma reunião crucial do Banco Central Europeu (BCE), os Estados Unidos aumentaram a pressão sobre os líderes da Zona do Euro para que ajam de forma decisiva para resolver a crise da região. Em entrevista à Bloomberg TV, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, disse que é preciso "diminuir as taxas de juros para os países que estão fazendo reformas e garantir que o sistema bancário possa fornecer o crédito que essas economias precisam". O recado foi levado na segunda-feira ao ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, e ao presidente do BCE, Mario Draghi.