Título: Advogados tentam minimizar acusações
Autor: Abreu , Diego
Fonte: Correio Braziliense, 04/08/2012, Política, p. 2
Os advogados dos réus do mensalão minimizaram a importância da sustentação oral do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentada ontem no plenário do Supremo Tribunal Federal. Para os defensores, a fala do PGR não trouxe grandes novidades contra os 38 acusados de participação no esquema. Como já havia anunciado, Gurgel leu um resumo das alegações finais que enviou ao STF, no ano passado.
Mais uma vez, o procurador-geral afirmou que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu seria o "chefe da quadrilha" do mensalão. O advogado José Luiz Oliveira Lima, que representa o réu, criticou a sustentação de Gurgel. "O Ministério Público fechou os olhos para os autos da Ação Penal 470. Não há menção a qualquer depoimento que incrimine Dirceu. O procurador diz que provas testemunhais são válidas, mas não apresentou nenhuma", disse Lima.
Sobre o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores Delúbio Soares, o procurador-geral da República garantiu que ele teria ficado com R$ 550 mil do esquema do mensalão. O PGR afirmou em sua sustentação que Delúbio era o "principal elo entre o núcleo político e os núcleos financeiro e operacional" e que ele atuava sob o comando de Dirceu.
A declaração irritou o advogado do réu, Arnaldo Malheiros Filho. Ele nega que Delúbio tenha ficado com parte dos recursos do esquema. "Isso é um absurdo, isso nem está na denúncia", assegurou Malheiros. "Se tem uma coisa que é notória é a simplicidade da vida que o Delúbio leva. E eu não conheço ninguém que tenha roubado e que viva na casa da sogra. Ele é aclamado nas bases do partido dele em função de sua honestidade."
Já o ex-presidente do PT José Genoino foi apontado pelo procurador-geral da República como o "interlocutor político do grupo". O advogado Luís Fernando Pacheco, que representa Genoino, criticou a sustentação oral do procurador-geral. Para ele, os argumentos usados por Roberto Gurgel se baseiam apenas nas provas colhidas antes da abertura da denúncia. "Ele fez apenas um resumo do que já havia colocado nos autos. Mas o procurador está se atendo aos indícios que foram produzidos na CPI e na fase policial. Ele não usou provas colhidas sob o crivo do contraditório perante o Poder Judiciário, com a participação dos advogados", comentou Pacheco. Luiz Francisco Corrêa Barbosa, advogado que representa Roberto Jefferson, fez coro às reclamações de Pacheco e também criticou o conteúdo da sustentação oral do procurador.
Elogios O advogado Márcio Thomaz Bastos, representante do ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado, elogiou a sustentação do procurador-geral. "É uma acusação competente, mais ou menos o que ele já havia feito por escrito. Ele (Gurgel) é um servidor público exemplar. E usou a técnica de chamar a atenção para documentos", comentou Bastos. "Mas acho que as defesas serão muito mais interessantes na medida em que são muitos réus. As sustentações vão fazer um mosaico de persuasão, diferente de apenas um acusador lendo."
Delúbio é exonerado A Secretaria de Educação de Goiás exonerou ontem Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e um dos 38 réus do mensalão. A portaria assinada pelo secretário Thiago Peixoto é o capítulo final de uma sindicância aberta em 2005 para investigar o suposto abandono de emprego cometido por Delúbio. Com formação em matemática, ele foi tesoureiro do Centro dos Professores de Goiás (CPG) e lecionou em alguns colégios de Goiás. Outras 29 pessoas acabaram exoneradas ontem na Secretaria de Educação, por motivos distintos.