Título: Lula liberado para pedir voto
Autor: Correia , Karla
Fonte: Correio Braziliense, 07/08/2012, Política, p. 7

Autorizado pelos médicos para retomar as atividades políticas depois de se submeter ao tratamento contra um câncer na garganta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai começar por São Paulo a maratona de participações nas campanhas eleitorais pelo país. A primeira missão será colar, definitivamente, sua imagem à de Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo que, por enquanto, flutua nas pesquisas em torno dos 6% de intenções de votos, na briga pelo terceiro lugar. Principal aposta de Lula para a disputa municipal, Haddad vai gravar, amanhã, o primeiro programa para o horário eleitoral na TV ao lado do valioso cabo eleitoral.

Deve ser fechado, até o fim da semana, o calendário de aparições públicas de Lula ao lado do ex-ministro da Educação. "A principal preocupação, agora, é com a questão operacional, como fazer o ex-presidente participar de eventos mantendo um ritmo saudável e lidando com a quantidade de pessoas que ele, naturalmente, atrai por onde passa", disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), um dos responsáveis pela elaboração do programa de governo de Haddad. Mesmo sem restrições médicas para participar das campanhas eleitorais, Lula ainda enfrenta dificuldades para caminhar e se queixa de inchaço na garganta e de dores provocadas pela bursite no ombro direito, que já o incomodavam quando ocupava a Presidência da República. Uma das alternativas que estão sendo estudadas pelo comando da campanha de Haddad é acomodar o ex-presidente ao lado do candidato em um "Haddadmóvel" nas carreatas pela periferia de São Paulo. O artifício já foi usado na campanha presidencial de Dilma Rousseff, que circulou em um "Dilmamóvel" em 2010.

São Paulo é prioridade, mas o ex-presidente também vai dedicar um bom espaço na agenda para participar de outras disputas consideradas estratégicas para o PT, com em Belo Horizonte e Recife. Além disso, está mantida a ideia inicial de que Lula participe de alguma forma da campanha em 84 cidades com mais de 150 mil habitantes, nas quais a legenda disputa a prefeitura como cabeça de chapa. No caso de candidatos não petistas, até o momento, a única cidade incluída no roteiro do ex-presidente é o Rio de Janeiro, onde o PT apoia a reeleição do peemedebista Eduardo Paes. "Ele é a alavanca fundamental das campanhas do PT. Todos querem, todos brigam pela imagem dele, pela presença dele em um palanque, em uma carreata", disse o vice-presidente nacional da sigla, deputado José Guimarães (CE).

O próprio Guimarães tenta tirar uma lasquinha do ex-presidente para a campanha na capital do estado dele, onde o candidato Elmano Freitas, do PT, estacionou no sétimo lugar nas principais pesquisas, com cerca de 3% das intenções de votos. "Fortaleza está entre as cidades prioritárias do PT e eu estou fazendo um esforço para que ela conste do calendário de Lula, há uma expectativa muito forte pela presença dele em todo o país, mas nós sabemos que ele não poderá estar em todos os lugares", reconheceu Guimarães. Uma amostra da importância da presença do ex-presidente pode ser vista na semana passada, quando aproximadamente 120 candidatos do PT e de partidos aliados se enfileiraram em um hotel de São Paulo para tirar fotos ao lado de Lula. Para dar conta de tantos pedidos, ele passou cerca de três horas à disposição dos políticos em um estúdio fotográfico montado especialmente para o evento.

Bacalhau no almoço com Dilma O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou ao lado da presidente Dilma Rousseff a carta branca recebida dos médicos para subir nos palanques dos candidatos aliados das campanhas municipais. No escritório da Presidência da República em São Paulo, Dilma e Lula almoçaram uma bacalhoada, encomendada em um restaurante da capital paulista. Dilma mudou a agenda para poder receber a visita de Lula. Segundo a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, os dois conversaram sobre "assuntos da agenda nacional" e o quadro de saúde do ex-presidente. A reunião durou cerca de três horas e meia, no mesmo horário da sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual advogados de defesa de alguns dos principais acusados de integrar o esquema do mensalão faziam suas sustentações orais. Pela manhã, Lula foi submetido a uma bateria de exames no Hospital Sírio-Libanês para acompanhar a evolução do seu estado de saúde depois do tratamento que enfrentou para vencer um câncer na garganta.