Título: Efeito Cachoeira espanta doadores
Autor: Mascarenhas , Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 10/08/2012, Política, p. 7
Com a imagem da política local atingida pelo esquema de exploração de jogos ilegais atribuído ao bicheiro Carlinhos Cachoeira, morador da cidade, Anápolis vive situação atípica: nenhum dos candidatos à prefeitura do município, de acordo com prestações de contas apresentadas pelos partidos à Justiça Eleitoral, recebeu um centavo sequer para bancar os custos de campanha. Como os cinco aspirantes ao cargo não registram arrecadação de recursos, também não têm despesas para apresentar.
Os coordenadores de campanha dos candidatos atribuem a falta de recursos à instabilidade jurídica das candidaturas, registradas após o prazo final dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 5 de agosto. Segundo eles, o atraso ocorreu por causa de uma greve de servidores dos cartórios eleitorais. "Isso fez com que se retardasse o início da campanha e se criasse esse clima de incerteza", explicou o candidato Gérson Fallacci, do PHS. Em outras cidades com população semelhante à de Anápolis, como Bauru (SP), Maringá (PR) e Rio Branco (AC), por exemplo, os candidatos à prefeitura já registram receitas e despesas.
Os candidatos de Anápolis estimam gastar cerca de R$ 15 milhões até o dia da votação em primeiro turno. O Correio mostrou, no dia 22, que os candidatos na cidade goiana já reclamavam da dificuldade de arrecadar recursos. Alguns relataram receio de o escândalo Cachoeira afastar possíveis doadores. Na avaliação do professor da Universidade Estadual de Goiás Nelson de Abreu Júnior, mestre em ciências da educação superior com pesquisa em políticas públicas, a campanha para prefeito está "fria" pelo franco-favoritismo do atual prefeito à reeleição. "Já a eleição para vereador não. Essa, sem os tradicionais recursos escusos dos patrocinadores, alguns presos, terá que ser feita no corpo a corpo, mesmo. Isso não custa dinheiro." Segundo o professor, o Poder Legislativo municipal está desacreditado. "Hoje, se a Câmara Municipal fosse extinta, dificilmente haveria resistência pela população em geral".
Já Cesar Donisete Pereira, do comitê do atual prefeito, Antônio Gomide (PT), que tenta se reeleger, contesta os dados divulgados pelo TSE. Segundo ele, a campanha registrou receitas e despesas da ordem de R$ 50 mil. "Nós entregamos o recibo, inclusive. Esse dinheiro foi usado para a impressão de santinhos, adesivos e para pagamento de pessoal." Os demais candidatos não foram localizados pela reportagem.